Uma mente de plasma, canal das coisas que não esqueci

Sabe o que é fixar os olhos na parede e do nada ela se transformar numa televisão??? Sua mente vira um retroprojetor e a parede do quarto se torna um telão. Você vai vendo como num filme, tuas histórias de muito tempo atrás. É nesse momento em que seu corpo desliga, você fica imóvel, parado na mesma posição até que o filme acabe ou algo consiga desviar sua atenção. É tão estranho relembrar coisas do passado que formam o mesmo tema. Logo depois você pensa em o quanto já viveu, mesmo já tendo vivido pouco. Que você chegou nos seus vinte e poucos e já viveu muita coisa. Pensa no que ainda virá, pensa no que poderá se repetir, nos próximos dejavus… fica curioso: “Como será o amanhã???”. Uma pergunta simples, porém muito complexa. Você não imagina como será o amanhã, você apenas pensa em como você quer que seja.

E então eu me vi… Quando eu era um cheinho bonitinho fofinho de classe média alta. Eu tinha tudo que eu queria e tudo que eu não queria. Eu gostava de estudar, mas só pq meu pai sempre me prometia um presente foda se eu passasse e um mais foda ainda se eu passasse só com notão. Não era muito fissurado nas garotas, mas tive várias namoradinhas. Lembro bem que desde essa época, eu já dizia pros meus pais que teria uma banda muito famosa e que eu seria um músico muito bom. Mas nunca pensei em correr atrás disso, na verdade, de nada musical e eles também nunca incentivaram, nem investiram nisso. Fiz natação, fiz escolinha de futebol, fiz judô, jiu-jitsu e capoeira. Nunca entrei numa escola de música. Não sei pq eu achava só que eu ia conseguir e foda-se.

Na pré-adolescencia desandei. Estava no ginásio, feio, gordo e não pegava ninguém. Eu era o patinho feio, fato. Fora que os pop da sala adoravam tirar uma comigo e eu era muito medroso, aguentava calado. Foi dai que entrei de cabeça no Rock. Só ouvia Nirvana, Metallica, Pearl Jam, os clássicos e bah… eu já fui grunge. Foi quando começei a entrar na fase do “sem causa”. Minhas notas cairam, não conseguia passar de série sem ficar em recuperação especial. E então, numa determida fase da minha vida, conheci um guri que me fez relembrar do meu sonho de infância… ele sonhava parecido. Meu pai me deu um violão Málaga, mas não quis pôr em aula, comprou uma daquelas revistas com cifras, sabe??? E lá fui eu me full pra tentar aprender sozinho. Só aprendi Ré e Sol, muito mal Dó e desisti. Pensava: “eu vou ser vocalista, não preciso tocar nada”. A fase grunge passou, fui fazendo amizades da “moda” e acabei caindo na “moda”. Até que meu pai resolveu sair de casa por causa de outra mulher. Não sei pq, mas hoje eu o agradeço muito por isso. Graças a ele, aprendi a ser homem mais cedo, na rua, apanhando e muitas outras coisas que não vale a pena citar. A cada porrada fui ficando mais maduro… A cada passo fui tentando não seguir os passos que me levariam a um espelho dele.

Depois na adolescência, la pros 16 anos que fui sentir o gostinho de não ser mais um patinho feio. Mas só quem já foi o patinho feio, sabe que esse carma fica pelo resto da vida. Não pelas pessoas, mas pelo seu eu interior mesmo. A famosa sindrome do patinho feio, que não desata nem a pau. E vou parando, pq estou começando a sentir uma sensação que não gosto… Acho que ultimamente tenho deixado muita gente conhecer-me a fundo. Ainda não é hora… Quero conquistar com metade do que sou. Se eu conseguir com essa metade, já é o suficiente pr’eu ter certeza que posso chegar onde estou realmente disposto a ir. E eu vou chegar.

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