Sobre caminhos e vinhos

A água não vira vinho de uma noite para o dia que nasce logo após. Primeiro você colhe as uvas e independente de uvas rosas ou uvas pretas, você terá que lavá-las. Enquanto lava você vai retirando-as do cacho, jogando fora as que ainda não estão maduras e as que estão podres. Em seguida você joga as uvas no liquidificador e fica por um tempo num processo de liga e desliga (para que não se rompam as sementes). Suas uvas agora são uma certa massa do aglomerado das cascas, das sementes, das polpas, dos sumos… Você vai derramar essa massa numa garrafa de boca larga, tapá-la com um saco plástico preso por um elástico na boca e colocá-la em um local onde a temperatura permaneça entre 15,5º e 26,6º centígrados, 23,8ºC sendo a mais favorável. Você vai ser paciente e dar tempo ao tempo. Conforme ele for passando começam a formar bolhas (evidências da fermentação), que gradualmente, irão chegar à superfície da massa. Depois de 2 semanas (eu disse 2 SEMANAS), cessa a formação das bolhas. Agora, você vai abrir a garrafa e derramar o sumo numa grande bacia, filtrando-o por meio de um pano LIMPO. Depois de filtrado, você vai colocá-lo numa garrafa e deixá-lo de lado e bem fechado, pois quanto mais ele envelhecer, mais as partículas se depositarão no fundo. Em 1 mês (eu disse 1 MÊS) o vinho irá clarear e ficar pronto para ser escoado por meio dum sifão para outra garrafa. E lá está o seu vinho seco. Com paciência e correndo riscos de não ficar tão bom, no final, só o fato de você tê-lo feito já o deixa bem mais gostoso que o normal. Agora imagina se você numa noite pegasse as uvas, não retira-se as podres e não maduras, não as lavasse, jogasse no liquidifcador e deixasse girando e girando… Depois disso derramasse a massa numa garrafa de boca curta, tapasse-a como deve e fosse dormir na esperança de bebê-lo ao acordar. Esperaria por algo “fino” ou “grosso”?

Na maioria das coisas na tua vida, deve ter ciência de que precisa dar tempo ao tempo. Deixar as coisas fluirem naturalmente como realmente devem ser. Principalmente quando não há bem o que se perder, pois, veja bem, no fim de tudo, experiência sempre é o que mais se obtém. E são essas experiências que irão te ajudar a ter mais maturidade da próxima vez que se ver naquela situação… Lembra? Parecida com uma, vivida as vezes nem há tanto tempo atrás. Se lembra? Eu me lembro. E em alguns caminhos, são essas experiências que me impede de correr pra chegar logo ou de pegar certa carona. É bem provável que com isso, eu chegue cedo demais e perca toda a emoção que é a expectativa, o decorrer, o inevitável e o mundo novo que se conhece pela janela do caminho.

Eu estava sentindo falta disso…

Anúncios

2 pensamentos sobre “Sobre caminhos e vinhos

  1. Ah, eu acho complicado esperar que o vinho fermente, mesmo que eu perca o orgulho de tê-lo feito no final, eu teria de saborear todas as suas etapas.
    Se não pudesse, não terminaria!
    Adorei seu texto, mil abraços.

Os comentários estão desativados.