Eu não leria

Eu tenho essa mania, que não sei se é feia, normal ou bonita… Mas eu tenho essa mania. De na maioria das vezes… Ler os olhos e não ouvir a boca. Dizer coisas que eu não saberia escrever como deve. Olhar as coisas como se não fosse eu e com isso, pensar em como me aconselharia, como me sentiria. Querer ouvir o que deveria ser lido. Querer escrever o que eu deveria dizer. Sabendo bem a hora de… Calar a boca e ouvir. Escrever quando não sei como dizer. Fechar os olhos e sentir. Ler o que eu não gostaria de ouvir. Pensar em mil motivos. E odeio quando percebo… Ações esperando reciprocidade. Que estão tentando só te convencer ao em vez de deixar ser o que tiver de vir, te fazer sentir, entender e com isso sorrir. Que querem te fazer pensar na possibilidade de estar errado, quando se sabe que só quer fazer o certo, o bem e não errar. E entre outras coisas de tudo isso e mais um mais.

Quem me conhece sabe, sou pensativo em demasias e tenho ciência de que muita das vezes não é bom, pois se é preciso ser mais irracional de vez em quando. Eu me estudo bastante e as coisas que me dizem, minha reação com o que me fazem, minhas ações para com quem eu gosto (independente do grau de importância). Sei que é inevitável as vezes valorizar demais quem não merece, desvalorizar quem merece, gostar do que não presta, desgostar do que presta. E etc… etc… Ontem, conversando com um grande amigo, ele me disse algo que me deixou pensativo: “Porra! Você não desrespeita ninguém nem no sonho!”. Creio que isso seja o prêmio que recebo por tudo que lutei pra mudar. Já fui uma pessoa que pensava mais em mim do que nos outros, que mesmo estando errado, falava as coisas que eu sabia que poderiam ser moderadas pra não doer tanto estando errado. Gostava de sair por aí destruindo corações e as vezes “lares”. Era repleto de segundas intenções. Até chegar ao ponto das minhas atitudes começarem a surtir efeito contrário. Os ferimentos que causei, muitas daquelas dores, as cicatrizes nasceram em mim mesmo… Só percebi quando realmente me olhei no espelho e vi minha alma nua! Depois desse dia, entrei numa luta contra mim mesmo pra mudar tudo que eu era. Passei dias pensando em tudo que eu já tinha feito de mal e começei a me ver como a vítima. Aos poucos fui dando a outra alma aos bruxos e vampiros e enquanto eles faziam a festa, me retirei, me afastei, me ausentei e dei início a minha jornada de ir moldando uma nova alma. Foi difícil mudar… Me vendo hoje e me vendo ontem, eu posso dizer. No início foi duro, pois vestígios da outr’alma ainda se encontravam em mim e as vezes era ela quem tomava as rédias sem eu perceber. E hoje, acho que já posso dizer que realmente terminou a festa e a outr’alma descansa em paz. Mas continuo com muita coisa pra mudar… Há coisas nessa nova alma que ainda se é preciso uns muitos retoques. Como as vezes piorar as coisas pra mim, pra que não sejam tão piores pra outra pessoa. E ando pensando seriamente em procurar aqueles vestígios pra que tomem as rédias de vez em quando. Não procuro a perfeição… Não cobro a perfeição… Até pq sei muito bem e gosto muito do mundo Imperfeito que vivo, que crio e que espero. Seja imperfeito mas sempre visando evolução interior, não só da boca pra fora, até pq, seus olhos sempre dirão mais que qualquer de suas palavras. Deixe as cobranças pra quem realmente tem o que cobrar. Não gosto quando tentam me entender, antes mesmo de ter entendido sí próprio.

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3 pensamentos sobre “Eu não leria

  1. “seus olhos sempre dirão mais que qualquer de suas palavras”

    O complicado é encontrar alguém que saiba ler olhos… muitos não entendem nem as palavras cuidadosamente faladas.

  2. Com certeza, quem entendeu sem tentar e já passou pelo mesmo ou algo parecido, não gostaria de ter passado por tal transformação.
    Pois eu admiro aquele/la que tem capacidade de mudar, de se transformar em algo melhor ao invéz de um ser avassalador.
    Não se culpe com um mundo que já se acostumou com a crueldade…

    Abraços

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