Adiós

Bom, antes de mais nada, a decisão foi minha.

Nessa semana que passou, recebi um presente ruim. E o pior de tudo é que… Quem me deu esse presente, fui eu. Passei quase um mês inteiro pensando, repensando, analisando e ouvindo a opinião de algumas poucas pessoas que eu sei que pensam como eu e que me dariam uma opinião imparcial sobre. E no dia 16 de Setembro eu conclui todo esse pensar. Cheguei a comentar com alguns amigos e me mantive firme ao dizer, mas, só eu sei o quanto é e foi duro chegar a essa decisão. Não vou ser hipócrita e dizer que me dói em todos os sentidos, mas de todos os 4 pais e de todos os outros que renegaram esse filho, serei o que mais sairá ferido. Tenho certeza absoluta disso, não há argumento que prove o contrário e sei que pode haver alguém ou algumas pessoas que pensem do contrário. Mas não conhecem a história que eu conheço!

Eu me lembro, a idéia nem era minha, mas a acolhi de uma forma como se fosse gerada por mim. No final, acabou mesmo virando meu filho. Eu corri atrás de padrinhos para que esse filho crescesse forte, saudável e com um futuro promissor. Eu corri atrás de apostar todas as minhas fichas nessa criança. Vivemos coisas que até então, eu não tinha vivido com outros filhos que adotei. Por ter sempre dado praticamente minha vida pra criar esse filho, não deu em outra, ele era a minha cara e ninguém negava. Vi esse filho crescer, pessoas elogiá-lo e criticá-lo. O vi carente, querendo só um pouco mais de atenção e valor de seus outros pais quando eu me ausentava.

Não tem como falar desse filho, sem lembrar de todo o início dessa minha estrada. Não esqueço nenhum detalhe, mesmo as vezes faltando alguma peça pra encaixar no quebra-cabeça e lembrar toda(s) a(s) cena(s). Quando começei, eu não sabia fazer PORRA nenhuma, além de escrever letras e com um “péssimo” português! Só queria lutar pelo meu sonho. Éramos Os Berous e pouco nos fudiamos se ninguém tocava porra nenhuma. Éramos muito amigos. Vivemos momentos inesquecíveis, de Rockstars de verdade e no fundo, não sabiamos nada! Com o tempo passando, por muitas críticas sobre minha voz, resolvi aprender a tocar baixo pra continuar correndo atrás do meu sonho. Se não tinha talento pra cantar, teria que ter tocando baixo. E no final, Os Berous não queriam o mesmo que eu. Eles queriam tocar por aí pela noite, pegar muitas groupies e zuar. Eu queria ficar famoso de verdade, tocar nas rádios e aparecer na TV. Depois dos Berous, virei baixista da Solidez. Feliz da vida, pois bah, tocávamos canções próprias! E dentro dela, aprendi a compor, um pouco de violão/guitarra e aprimorei minha voz, conseguindo fazer uns backs de vez em quando. Acreditava tanto na Solidez, que quando vi que a corda ía arrebentar, tratei logo de correr atrás pra que aquilo não acontecesse e a banda se reergueu novamente e bem! Daí que aconteceu a primeira coisa que me fez pensar: “Bah, eu acho que eu tenho talento mesmo!”. Consegui pôr uma música minha na Solidez e do nada a vi se tornar a mais pedida. Lembro que isso me deu um orgulho danado. E graças a isso, quando a Solidez acabou, passei a acreditar em mim de uma forma, que só tem crescido mais e mais. Mas, depois que a Solidez acabou e os novos projetos com pessoas que eu acreditava, não deram certo, brochei completamente ao ponto de desistir. Eis que um dia, a última pessoa que eu pensaria que teria vontade de montar uma banda, resolve chegar pra mim e falar que estava afim de montar um projeto comigo. Depois de muita conversa, pensei e repensei. Cheguei ao pensamento que, já que eu acreditava tanto em mim, não precisaria de pessoas tão experientes quanto aos que eu tinha conhecido em outros projetos… Precisaria apenas de pessoas que acreditassem que é possível e no impossível! Eis que nasce a Rockfelth! Com as minhas ideias, meus pensamentos, minhas letras e minhas melodias. Sim! Aquele cara que sempre tiraram de coadjuvante e membro dispensável, resolveu montar uma onde ele tomava a frente e colocava as suas idéias na reta! Aquele mesmo cara que 3 anos atrás ouvia mais “Desiste! Já deu o que tinha que dar”, do que “Você é capaz!”. Aquele que quando contava suas idéias, algumas pessoas riam como se fosse apenas desejo de criança, que dá e passa e não tem noção do perigo. Os anos foram passando, pessoas entraram, sairam e algumas até, voltaram para a banda. O único que ficou comigo desde o início foi o Gabriel Negreira. E conforme esse tempo foi passando, vi pessoas se apegarem a banda de uma forma SURREAL. Mesmo sendo poucos, sei que as pessoas que seguem o meu trabalho musical, é por que realmente se identificam e gostam! E eu vi minhas idéias conquistarem pessoas, minhas músicas serem tema pra explicar algo que alguém viveu. Pessoas me dizerem: “Caralho, você é foda!”. E etc… Eu! Aquele mesmo cara que muitos disseram que não chegaria em lugar nenhum, que muitos já tratou como dispensável e muitos riram! Eu! Hoje recebo convites pra montar banda, muito mais elogios do que críticas e pessoas que realmente apostam suas fichas! Então, você acha que HOJE, eu tenho motivos pra desistir? Que eu quero uma banda só pra falar que tenho? Que eu tenho um sonho só pra sonhar? Que eu quero ficar com passos lentos? Não! Não tenho motivos pra desistir! Quero uma banda pra conquistar multidões! Quero viver um sonho e não sonhar uma vida! Quero correr atrás!

Os integrantes da Rockfelth ainda não sabem, mas, infelizmente, acabou! Sem mágoas! Como amigos, eu os amo! Tenho agora 5 projetos musicais pra me entregar por inteiro, sem temer que use alguma boa idéia ou boa música em paralelo do que na Rockfelth. Gabriel, me perdoe por isso!

Eu só não queria dizer adeus…


“E fui andando, voltei ao zero
Um recomeço é uma forma de se encontrar
Por ser tranquilo, por ser sincero
Não me preocupa
O que não for é o que vai passar”

Hebert Vianna

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2 pensamentos sobre “Adiós

  1. Independente do que o tenha levado a tomar essa decisão, quero que saiba que antes de ser fã da banda, eu sou sua fã. E torcerei por você em todas as decisões que tomar.

  2. Again:

    “Não ouse desistir
    De tudo que você sonhou”

    Na verdade não vejo como um “acabou”. É mais um “encerrou as atividades”, pois enquanto alguém tiver pelo menos uma das músicas seja no computador, celular, mp3 e principalmente na cabeça, não acabou.

    Vamo que vamo que o rock não pode parar.

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