LÉO FREITAS

Não é como aquela chuva que cai e as vezes, minutos depois, o sol vem e nos faz esquecer que choveu. Não é como aquela ferida que não deixa cicatriz. Não é como aquela piada sem graça. Não é como sonhar… Definitavamente, não é. É como aquela chuva torrencial que desaba suas estruturas e você sempre se lembrará do que perdeu pra ela. É como aquela ferida que parece não querer cicatrizar. É como aquela piada covarde e de mal gosto. É como ter pesadelos antes de dormir e não saber quando está dormindo ou quando está acordado. Você percebe que independente de quão sólido seja tua força… Você é fraco!

Eu lembro você e André de fralda, odo dia ia na tua casa brincar com vocês. Crescemos daquele jeito… Portas abertas, eu indo e vindo da tua casa pra minha e vocês vindo e indo da minha casa pra tua. Brincávamos e brigávamos. Andava entre a sua família como se fosse parte dela, nos anunciavamos como primos de sangue e fomos crescendo mais. Fui fazendo os meus amigos longe do portão do Tirante, me aproximando mais deles… Mas nunca sem deixar de parar pra conversar, saber o que andavam fazendo, as coisas novas que aprenderam e com quem estavam andando. Como eu sempre dizia pra vocês… “Meus protegidos, sempre que precisar de mim, podem contar. E se alguém se atrever a fazer alguma maldade, vai se ver comigo e não fica com vergonha de vir me falar”. Até que vocês viraram homens, conheceram o mundo lá fora, fizeram os seus novos amigos e seus locais de andarilhagem. Eu sempre de longe vigiando e chegando em cima dos que eu conhecia, pra saber pra onde iam, pra onde os levariam. Até eu perceber que já era infantilidade da minha parte ficar nessa de proteger você, André, Pedro, Júnior, Gabriel… os mais novos do Tirante. Mas sempre que pude, me mantive lá pra dar aquela ideia, passar pouco da minha experiencia. Foi um choque saber pela TV e fico nessa de tentar desviar a atenção, não pensar… Mas só ao abrir a porta…  É difícil pensar que você não vai mais entrar.

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