Far Far Away

Fez seus planos e realmente decidiu passar um tempo fora… Um tempo longe. Certas vezes, em momentos que nem ele sabia explicar ou quando iriam ou não chegar, a real vontade era de passar um tempo longe de si mesmo. E as vezes, tirar um tempo pra deixar de lado as coisas boas e subir num octágono com as coisas ruins. Então, realmente, não tinha escolha. Anunciou pra quem quis e pra quem quis saber, esperou uns dias e sem um sorriso, começou a pensar no que levar e o que deixar. Viu que tudo que tinha pra levar não cabia em malas, independente do tamanho da mesma. Tudo que iria deixar, aí sim, caberia em vários tipos de mala. Quando terminou, uma vontade repentina de receber uma ligação ou uma visita, alguém pedindo pra não ir… Alguém pedindo pra ficar… Alguém querendo acompanhar. Ergueu a cabeça, um sorriso de canto… Vamos! Mal pôs os pés fora de casa, já olhou pra trás. Respirou fundo e seguiu seu caminho rumo a Far Far Away. Não sabia se aquilo realmente faria bem, mas também não dava pra imaginar se pioraria ou não. Seguiu. Caminhou. Olhou pra trás. Pensou em mudar o rumo. Olhou pra trás. Chegou no seu destino. “E agora? Qual vai ser?”, foi a primeira coisa que pensou ao pôr os pés naquelas terras pouco conhecidas por ele. “Quantos quilometros longe? O que mudou se eu trouxe tudo que não queria trazer? Mas como não iria trazer se a mala é o meu cérebro e meus neurônios não são fortes o suficiente pra dar aquela arrumada?”. Sentou. Pensou. Olhou pra frente. Decidiu ficar. Pensou em esquecer o caminho de volta. Decidiu ficar. As pessoas de Far Far Away conseguiam fazê-lo permanecer sempre ali… Na primeira oportunidade que teve a sós consigo mesmo, escreveu… Mas, Pra quem? Não importa… Não é?

Aqui o tempo passa mais devagar. As pessoas não tem os mesmos costumes, as mesmas manias, os mesmos assuntos, as mesmas eticéteras… Praticamente nada em comum. Você se sente um ser de outro mundo dentro do seu próprio mundo. Percebe o quanto o mundo gira, as pessoas mudam, algumas amadurecem, outras infatilizam-se e você, as vezes, fica pra trás… Láááá pra trás. Sim! Você fica só… Quando quer e principalmente quando não quer, independente de onde esteja. Regressar onde você viveu outras vidas pode ser realmente bom… Pq… Você chega, para, senta, abre um bom vinho, acende um cigarro e começa a ver-se pequenino e inocente. Vai vendo o quanto cresceu até hoje, assim como a embriaguez e a última fumaça do último cigarro de um novo maço. A gente cresce e percebe que aprendemos quase tudo que os pais ensinam… E desse tudo, metade é mentira e a outra metade é dividida em: Universo Particular, Girar em torno de um par, Criancisse, Preguiça, Orgulho e você que está sempre errado, equivocado e atrás. Bom, pelo menos “esqueci” de tudo que me fez parar aqui…”

Planejava voltar no fim do mês e eis que decide voltar ainda antes do meio. Na mala, uma sensação maravilhosa de ter tirado uma bola de neve de 10 anos, das costas. Durante a volta… Perguntou para um sábio: “E agora? Como será que andam as coisas por lá?”. E sua resposta, por mais simples que tenha sido, foi: “Do mesmo jeito que as daqui, antes de você voltar pra cá!”. Realmente… Mas nem tanto.

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