Enfim… Fim…


Era por volta das cinco da manhã, um cinzeiro cheio de guimbas, papéis amassados pelo chão, um resto de café quente na caneca… E lá estava ele sentado à mesa da cozinha, com o cotovelo esquerdo apoiado sobre a mesa, a cabeça pousada na palma da mão esquerda que segurava nos dedos um cigarro aceso já na metade e o braço direito pousado a mesa, segurando uma caneta Bic Azul. Olhava para um caderno a sua frente entre a xícara e a mão direita. Lia e relia o que escreveu com linhas tortas há exatamente nove minutos e quarenta e sete segundos atrás…

“Bom dia? Boa tarde? Boa noite? Ou… Bom até nunca mais?

Enfim…

E se você chegar aqui em casa primeiro… A cama de casal parecer de solteiro… O jantar e/ou o almoço couber em um só prato… E encontrar só o pé esquerdo no quarto. O que você faria? Partiria também? E se você partisse de casa primeiro… Depois de ter levantado bem cedo… Visto que alguém não dormiu em casa… E no celular não tinha nenhuma chamada. O que você pensaria? Revoltar-se-ia também? Eu fiquei com meus motivos e te deixei só, com os teus. Não quero saber! Já me cansei desses dias aflitos… Sei de teus tantos Romeus, mas, não queria saber. O único problema são esses papéis que não concordam com um bilhete de adeus e essa caneta inquieta que não sabe bem o que dizer. Fez da minha sorte o meu melhor revés, das tuas heresias os maiores inimigos meus e o nosso riso é um esboço do que não se vê. Eu juro… É a última xícara, o último trago e então… Inicio minha partida só com o carro e os cacos do meu coração.

Fim…”

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