Carnaval, afinal


Mais uma vez ele viu um futuro encapuzado de presente, preferir se fantasiar de passado no seu carnaval. Ele curtiu a sua festa, seu bolero, suas pisadas no pé, seu olhar quarenta e três, seus primeiro de abril e quando parava pra ouvi-lo. Na brincadeira de Cazuza, de se fingir de burro pra você sobressair… Foi esquecendo a hora de ser inteligente e quando notou, já não fingia… Já era burro. Seus olhos tão atentos foram vendados ao fantasiar-se de Pierrot, um bloco que não fazia parte dos planos passou e ele não viu, só ouviu falar. Mais um dos mil palhaços no salão. Ficou tão bêbado que mal podia ver um palmo a frente e não sentiu dor na hora que enfiaram uma faca na parte de seu corpo, chamada “Respeito”.  Era nas costas. Talvez se fosse pela frente, seu psicológico poderia tentar simular algum tipo de dor, reação ou até incentivá-lo a contra golpear. Só ao acordar, viu aquela fantasia toda, manchada de sangue. Saindo da festa foi juntando o quebra-cabeça e encontrou mais pistas da inteligência que havia perdido. Foi um bom dia de carnaval, afinal.

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