Em outras palavras


Bom… O que posso dizer se de frente pra você, eu me calo? O que posso fazer se o presente quer ter o passado? Nada posso quando me faço de sombra. Algumas vezes a tua, outras vezes do poste na tua rua… Sempre por perto, nunca interno. Mas, na maioria das vezes num deserto onde você é a água que só vejo nas miragens. Caminhando nas margens de um ou dois livros, pra fugir da história impressa nessas velhas páginas. De que adiantou criar três mundos pra nós, se nos três vivo só e procurando o Fá perfeito pra fugir de Lá Dó Sol? Pra palhetar em Ré e cair em Si, e acordar em Mi numa triste melodia. Perder-me na busca e encontrar um acorde que não queira desabafar o que já vem sido escrito em outras palavras. É… São outras palavras.

Sei teu foco predileto, teu olhar mais sincero, teu sorriso mais sereno e teu doce veneno. E que doce veneno! Que domina fácil ao primeiro toque língua com língua. Teu canto de sereia que de longe me hipnotiza. Podes estar em Paris e eu te ouço aqui do Rio. Afinal… Há quantos anos te ouço, te vejo, te sinto, te desejo e te etecetera, mesmo estando tão “longe” do fio? A cada dia que passa, tenho certeza que só eu vi aquele “você” que vestiu pra mim… Completamente diferente de todos os outros “você” que vestiu pra eles. Pra mim foi mais puro, mais raro e mais ingênuo. Protótipo do que hoje consegue esconder por baixo de um “você” bem talhado, a seu ver. Eu sei! E mesmo de longe, eu pude ver… Sim! E só eu continuo vendo!

Às vezes fico maravilhado ao ver algumas pessoas tentando ser você. Dou umas risadas gostosas quando vejo. Algumas por saberem o efeito que tu causas em mim, outras por méritos teus e outras por efeito que causa neles. Mas, eu prefiro as que sabem o efeito que causa em mim. Mas não me pergunte por que… Às vezes por te pôr mais ainda nas minhas alturas, no meu céu e minha maior estrela. Enfim… É fascinante o quanto muito sei, sem precisar que ninguém me diga. Sei bem do que és capaz e onde pode chegar. Quando não quero te ver, eu desligo a TV e ligo o rádio. O único problema é quando você mesma não vê e se veste de um “você” que eu não posso ver… Em outras palavras.

Anúncios