Dueto#2 – Amém!

U – Você sabe exatamente quando me deu tudo que não queria guardar pra si
N
– Sabes exatamente quando perdeu em mim a parte que queria em ti…
U
– O que você realmente queria era uma válvula de escape bem iluminada
N
– E o que encontrou em mim foi uma rua escura, onde as nuances eram frases borradas…
U
– Então me deixe fazer o que você diz agora ser o certo, e quem sabe o tempo mostrará o que realmente deveríamos ter feito.
N
– Deixe que as palavras soprem a brisa que nos envolve, deixe que esta mesma brisa nos reinvente a estrofe…
U
– Deixa o tempo parar por um momento… Deixa o tempo parar em nós e pra nós, mesmo se não for ao nosso favor.
N
– Feche os olhos e sinta minha respiração percorrer os minutos, perceba meus olhos invadindo tua alma, sem medo de te percorrer…
U
– Nós acharemos uma palavra pra definir tudo ou quem sabe, resolver essa inequação.
N
– Faremos rimas com novos verbos, procurando traduzir este sentimento que já é um velho conhecido…
U
– Pode dizer que eu tenho o hábito de exagerar as coisas e fazer rodeios ao em vez de ir direto ao assunto
N
– Poderás me dizer que esta minha mania de fugir te faz rir, mas eu te digo que é pra te ver vir, chegar, ficar…
U
– Sorrindo como da primeira vez que chegou e fez morada
N
– E fez teus sorrisos ocuparem cada espaço da minha casa…
U
– Era cama, sofá, ladrilhos, tapete, estante, edredom, o espelho que melhor me refletia…
N
– Teus olhos vidrados nos meus, desfazendo as cores daquelas paredes sem identidade, me mostrando os sabores que antes não existiam…
U
– E como se eu fosse Van Gogh e você Pablo Picasso, pintamos extraordinariamente bem todas as paredes que passamos a chamar de “Nosso lar”.
N
– Fizemos poesia dos ladrilhos colocados sem forma certa pela entrada, desenhamos pássaros voando pelos muros, para os dias em que eles não possam vir…
U
– Pro nosso inverno parecer verão e o nosso outono parecer primavera
N
– Pras estações formarem tapetes de flores cobertos de neve… Conforme nosso desejo…
U
– Só nós dois entenderemos quando nos perguntarem que história é essa de que só existem duas estações
N
– Só nós dois entenderemos que este sorriso no rosto significa muito mais do que uma máscara pintada por momentos singelos
U
– Que os pequenos detalhes são os nossos grandes detalhes… E os grandes detalhes dos outros, são o que a gente esquece.
N
– Que os poréns fazem parte de uma história que pra nós só existe na inexistência dos nossos momentos…
U
– Eu ouvi um Amém?
N – Amém!

Mais uma vez ela me deu as honras de duetar. Obrigado por este segundo dueto, minha poetisa.
O óbvio utópico:
http://o-obvio-utopico.blogspot.com

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