Oito e Oitenta

Eu acho graça quando ela me olha, solta um sorriso meigo, e com um olhar de quem sabe o quanto é amada, diz quase sussurrado: “– Eu te amo… Mas queria te amar tão loucamente como você me ama”. E com um sorriso bobo eu respondo: “– Só me amar já está de bom tamanho… Até por que, loucura sempre fez o meu tipo”. Não que ela não seja louca, pois, em certas ocasiões ela se mostrou pra mim uma tremenda louca varrida que não sabe o que faz. Acho que agora já começou a entender o porquê de boa parte da minha loucura, principalmente a por ela. Talvez agora, eu a veria lutando pra que a causa não caísse caso eu resolvesse dar indícios de estar deixando as coisas irem para o alto. Hoje em dia eu consigo sentir mais sinceridade nas coisas que ela diz, e finalmente, isso é bom. Agora ela sabe que naqueles dias eu realmente estava prevendo o futuro, pois boa parte já aconteceu e está acontecendo.

Eu lhe dei coisas que ela precisava e não sabia, ou nunca sentiu falta por nunca ter recebido. Agora diz que não conseguiria mais viver sem. Coisas que não se compram são fodas! Sabe? Sempre tive certeza e sem querer esse foi o ponto forte de tudo… Eu acho. Nenhum de nós sabe explicar, mas se fosse dias atrás, eu saberia. Acho que boa parte da minha personalidade também tem seus méritos. É tão bom não saber explicar. A gente se sai muito melhor num: “– Não sei, só sei que foi assim”. Não acha? Pois é. Por mais que eu não entenda muita coisa que aconteceu, não sabia que tinha como as coisas melhorarem bem mais, para o nosso lado… Digo… Mais do que da última vez que eu pensei que não tinha mais como as coisas ficarem melhor. Entende? Complicado, eu sei.

Às vezes parece que fica faltando uma parte nas frases, pois, o que ela diz, conclui o que eu disse, e o que ela disse, vou dizer a conclusão. Ela me ama e ponto final! Em tão pouco tempo já lutei e lutamos tanto, que dá até vontade de escrever um livro… Imagina daqui a alguns anos com novas histórias, experiência, vivências… Mais amor. Ela já tem a chave da minha casa, do meu quarto e do meu coração, que já nem está mais comigo, mas em sua posse. Ela faz o que quer com ele e eu nem vejo, só quando ela traz pra que eu veja a nova decoração que fez. Já tem, também, uma gaveta cheia no meu armário e um quarto dos cabides. Bem que podia se mudar logo e de uma vez!

Desde antes de dedicar “Tal do Amor” do Gênio Vaquer pra ela, eu sempre disse que gostava do seu jeito oito e oitenta de ser, por eu ser também, oito e oitenta. Mas conforme o tempo foi passando fomos mudando, e hoje vejo que caminhei mais para o lado do oito e ela para o oitenta… Então, somos um casal oito e oitenta. E isso, pra mim, é foda (das boas)!

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