Vodca e café

Eu não sei pintar, mas por você eu pintaria se precisasse. Daí bastaria só você fechar os olhos e veria o quadro mais bonito do mundo… Ou só imaginar, já está bom. Também não sei atuar, mas por você eu atuaria se precisasse. Daí bastaria só você deixar sua tevê desligada e veria o quanto atuo bem no filme mais bem produzido do mundo… Ou só imaginar, já está bom. Outra coisa que eu também não sei fazer é correr atrás de bola, mas por você eu correria se precisasse. Daí bastaria você me dar uma bola e eu faria três gols na sua janela… Quebraria, mas eu pagaria. Enfim… Você sabe que eu não sei fazer muitas coisas e não se importa com isso. Você diz que o mais importante é gostar daquilo que eu sei fazer melhor e que eu me sinta bem. Por isso te escrevo uma carta por semana… Eu gosto de escrever. Por isso te faço uma canção por mês… Eu gosto de compor. Por isso eu te amo… Eu gosto de te amar. E essas três coisas se combinam de uma forma que nem o quadro mais bonito conseguiria expressar, nem o filme mais produzido, muito menos um gol de placa. Então, eu me sinto bem. Você não me trocaria por um pintor ou um ator ou um jogador de futebol.

Eu compro e leio os jornais todos os dias, pesquiso curiosidades que ninguém teria ou que alguém raramente questionaria… Só pra dizer com exclusividade no teu ouvido e ver você criar uma cara de espanto e surpresa ao me perguntar: “- Céus! Como você sabe dessas coisas todas?”. Pois é… Eu não aprendi na escola, aprendi com a curiosidade e as facilidades de “descobrimento” propiciadas pela internet… Pelo Google, na verdade. Na escola eu preferia ficar fazendo desenhos no caderno enquanto esperava o intervalo ou o fim da última aula. Fora que já terminei a tanto tempo, que raramente me lembro de alguma coisa que aprendi na sala de aula, que seja assim tão interessante ao ponto de outra pessoa que também já estudou, não saiba. Com isso tudo, eu consigo me manter interessante e inteligente o suficiente pra te reconquistar todo dia. Não tem segredo algum. Legal, não?

Às vezes eu fico preocupado… O que aconteceria se em uma ou outra semana, eu não lhe escrevesse uma carta? O que aconteceria se em um ou outro mês, eu não lhe fizesse uma canção? O que aconteceria se em um ou outro dia, eu não tivesse mais curiosidades interessantes que você só mata comigo? É essa parte de mim que eu não curto nada… Insegurança. E às vezes, geralmente quando misturo vodca e café… Às vezes… Bem às vezes mesmo… Serve como um “intensificador de ego” ou um “intensificador de insegurança”. Paro pra pensar, me perguntar, questionar… “- O que você sabe fazer?”; “- O que faz de melhor?”; “- O que tem pra contar?”; “- O que você sabe que eu não sei?”; “- O que quer de mim?”; “- Eu sou um cara legal?”; “- Você gosta do que eu te escrevo?”; “- Você gosta das canções que lhe faço?”; “Você me ama mesmo?”. Já viu né?

Acho que o motivo disso é o fato de nunca ter respondido a uma carta minha, nunca ter cantado uma das canções que lhe fiz, nunca ter me mostrado o que sabe fazer e de melhor, nunca ter me contado algo que eu não sei, nunca ter dito o que quer de mim… No começo não importava, mas está começando a importar e isso é o meu “intensificador de insegurança”. Responde pelo menos essa carta, cante pelo menos um refrão, me mostre uma parte do que sabe fazer (não precisa ser do melhor), me conte algo que eu não sei e diga o que quer de mim. E aí eu prometo não mais misturar vodca e café.

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Um pensamento sobre “Vodca e café

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