Bonzinho romântico só se fode

Às vezes pensava que no fundo no fundo a melhor solução seria voltar a fazer parte da enorme estatística dos “homens que não prestam”.  Já até tentou voltar, mas não deu muito certo e teve que continuar fazendo parte da estatística do “bonzinho romântico só se fode”. Não é possível que esteja condenado a pagar por seus erros da adolescência com o triplo de anos. Encontraria alguém que presta só lá para os quarenta ou cinquenta anos? Se fosse assim, nos trinta, poderia ao menos encontrar alguém quase lá. É paciente, aceita, entende, dá o braço a torcer, deixa o orgulho de lado, faz juras sinceras e etc… E etc… E etc… Mas, infelizmente, nunca é o suficiente pra elas e às vezes parece que o preferido sempre será aquele que ainda faz parte daquela estatística dos “homens que não prestam”.

Quem o conheceu na adolescência, e que por não ter amadurecido acha que ninguém amadurece, o julga merecedor de estar no “bonzinho romântico só se fode”. Mas ninguém sabe que antes mesmo dele entrar pela primeira e única vez na estatística dos “homens que não prestam”, ele fez parte da estatística do “gordinho feioso e engraçado que ninguém quer pegar” e do “amigão que só serve como amigão e se apaixona platonicamente em vão, pois ela só vai te ver como amigão, pra não dizer na tua cara que você é feio pra cacete, mas é legal”. Essa última estatística era sinistra. Foi daí que cresceu especializado nas estatísticas “vagabunda que não sabe valorizar”, “mulher filha duma puta”, “amigo é o cacete” e “maldita mentirosa e infiel”. Então na primeira brecha que teve, entrou para a estatística dos “homens que não prestam” e com excelente sucesso.

Com o passar do tempo, foi vendo que por mais que elas reclamem, “homens que não prestam” é realmente a estatística predileta da maioria e a minoria, que realmente não gosta, já estão encaminhadas ou se escondendo pra não topar de frente. Maldita hora que, por azar, foi começar a dar de cara só com as da estatística “você errou, mas te perdoo por que sou muito apaixonada por você”… Só que essa, tem duas categorias: a das sinceras e a das mentirosas. Então, nem preciso dizer que era só da primeira categoria. Isso que despertou o seu lado, que até então, conseguia trancafiar lá nas profundezas do seu subconsciente e o fez ver que estava enganando apenas a si mesmo. Ai já era tarde, amigo… Você voltou de cabeça nessa maldita estatística do “bonzinho romântico só se fode”.

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