#Special-post: Por trás das flores / Vida de escritor iniciante / Sua Última Flor

No fim desse post alguém pode dizer: “- Tá, mas, e daí?” ou “E eu com isso?” e entre outros semelhantes. Assim como pode servir positivamente pra alguém ou até negativamente… Quem sabe? Só vou me desvencilhar um pouco das flores que muita gente acha que é, a vida de um escritor iniciante… Ou só como foi pra mim. De repente alguém já passou por isso ou muitos estão passando ou vão passar.

Abril de 2010, esse blog já existia, mas não era tão levado a sério como é atualmente. Na época a Rockfelth ainda existia e estávamos num processo lento de gravação na casa do Lucas (baterista da banda) para um futuro CD (que acabou não saindo). Estava em casa à noite, era uma terça-feira. Pensando em algo interessante para postar no blog, já que estava há algum tempo sem postar nada. Então tive a ideia de pegar um pouco da minha vida e fantasiar do jeito como eu queria que as coisas acontecessem futuramente, comigo e a banda. Conforme fui escrevendo foi me vindo novas ideias para o início, meio e fim, e quando fui ver, estava escrevendo um livro. Cheguei a comentar com o Gabriel (guitarrista da banda): “- Cara, acho que estou escrevendo um livro… Não sei ainda, mas, quero ver no que vai dar. Fala disso, disso e daquilo, vou falar mais daquilo, daquilo e disso e se chamará Sua Última Flor, mas não terá nada a ver com a música… É só pra pensarem que tem”. Bom… Mais ou menos isso.

Estava tão empolgado, que passava mais de dez horas por dia escrevendo e me dedicando praquela novidade na minha vida. Novidade, pois, nunca me imaginei terminando um livro, só duas tentativas que não passaram do primeiro capítulo. Minha empolgação e dedicação fizeram com que eu terminasse o livro em duas semanas. Folha A4, fonte Times New Roman 12, espaçamento 1,15 nas entrelinhas, 31 capítulos e 350 páginas. Fiquei maravilhado. “- Porra, eu terminei um livro!”. Foi com certeza a primeira coisa que pensei, e chorando, pois, o final que escrevi realmente me fez chorar, não foi o fato de ter escrito um livro. Não tinha nenhuma pretensão de publicá-lo, até por que, nunca fui seguro com relação a minha escrita. Queria apenas exportá-lo em PDF, gravar num CD e vender a dez reais. Quando se é novo nessa área e não sabe praticamente nada sobre, você acha que uma revisão é o suficiente. Lá fui eu fazer a revisão antes de começar a vendê-lo.

Enviei para a Clara, o Denis e o meu pai. Pessoas que eu sabia que realmente gostam de ler livros, independente de clássicos ou o de alguém como eu. Antes mesmo de terminar a primeira revisão, a Clara já tinha lido e me dito coisas maravilhosas sobre a minha primeira obra. Fiquei muito fascinado com a sua reação. Clara, se você ainda acompanha o blog, saiba que nunca me esqueci disso, das tuas palavras e principalmente da motivação que me deu para publicá-lo. Quando o Denis terminou de ler, salientou-me sobre os erros de digitação. Eu disse que já estava terminando a revisão, e quando ele disse que cinco revisadas era pouco… Pouquíssimo… Denis está doido, pra quê cinco revisões? Pensei na época. Já o meu pai, me surpreendeu dizendo que o livro daria um bom filme e que tinha que me ligar em alguns pequenos erros de português. Então, quando terminei a primeira revisão, decidido a procurar algumas editoras para enviá-lo, exportei em PDF para pôr nuns CDs e resolvi fazer mais duas revisões. E ótimo!

Enquanto fazia a segunda revisão, comecei a vender para amigos e enviar pela internet para os de outros estados, que ficaram muito interessados em ler. Conforme as pessoas iam terminando de ler, fui recebendo elogios e mais elogios, o que foi me motivando cada vez mais a realmente caçar algumas editoras. Subiu tanto a cabeça, que eu pensava: “Bah! Todo mundo gostando, é lógico que eu vou conseguir uma editora”. Ai, ai. Pobre leite com pera. Quando terminei a terceira revisão, sentei, abri o Google e: “- Vamos lá! Editoras!”. Aí entra outro problema… Quando você não é um devorador de livros ou nunca parou pra reparar o nome das editoras dos livros que já leu, em quais editoras, você pensa? Pois é. Sacou né? Joguei no Google: Editora Globo, Editora Abril, Editora Rocco e Editora Record. Voilá, sabichão! Sei que a única que tinha um link parecido com “Ei, você que escreveu seu primeiro livro, clique aqui!”, foi da Editora Globo. Uh terere! Parecia até que piscava como um letreiro luminoso, o link “Seja um autor”.

De acordo com os termos da Editora Globo, depois da confirmação do recebimento da obra, a resposta viria três meses depois, e que independente de Sim ou Não, eles responderiam. O tempo foi passando e continuei vendendo-o em PDF num CD. Passaram-se dois meses… Três meses… Quatro meses… Desisti de esperar pela resposta. Lá fui eu visitar o Google outra vez. “Editoras”, “Novas editoras”, “Novos autores”, “Publique seu livro”. Agora vai! Fui achando muitas editoras, mas as famosas (pelo menos na época) não tinha nenhum letreiro luminoso como tinha no site da Editora Globo. A maioria das editoras “desconhecidas” que encontrei, tinham um “sistema inovador de publicação”, onde elas cobram um preço X, oferecendo serviços de revisão ortográfica, diagramação, capa e etc… Mas sou pobre, pobre, pobre de marré deci. E agora?

Depois de muita pesquisa, encontrei uma dessas “desconhecidas” com esse “sistema inovador de publicação”, mas que tinha um serviço gratuito, onde eles pegam o livro do jeito que você enviou e publicam. A revisão e diagramação ficam por sua conta e risco, e fatura 15% do preço da capa pelos direitos autorais de cada venda. “- Uou! Achei a fita!”. Pensei. Novamente… Pobre leite com pera. Resolvi fazer o teste e esquecer a tal resposta. Fiz cadastro no site e enviei o livro, aguardando pra saber quanto ficaria o preço, como seria e tudo mais. No dia seguinte acesso a minha caixa de e-mail e abro um da editora informando que o livro já estava a venda no site, que eu podia fazer isso e aquilo pelo menu tal, para ficar por dentro das vendas e quanto eu estava ganhando. QUÊ? Tudo parecia ter sido tão simples e fácil. Quando cliquei no link da biblioteca virtual… Meu livro estava custando oitenta e poucos reais. QUÊ? P.s.: Imagina alguém com o queixo quebrado no chão, os olhos quase saindo da cara e grudando no monitor. Foi assim o meu segundo “QUÊ?”. Oitenta e poucos reais mais frete!

No começo pensava em fingir que estava com esse preço por ter sido considerado um best-seller… Mas que porra de best-seller tem esse preço? O livro mais caro que já comprei na minha vida custou cinquenta reais e tinha quase quinhentas páginas! Fora que best-seller tem capa. Independente de bonita ou feia, mas tem capa. Não uma capa vermelha com uma tarja branca no meio com o nome do livro e meu nome todo. Cadê meu pseudônimo? Precisam mesmo saber o meu nome todo? Pobre leite com pera, sua afobação o fez meter os pés pelas mãos e a cabeça foi parar no umbigo. Tinha um contrato de um ano e com um livro custando oitenta e poucos reais… Mais frete!

Comecei a divulgar, mas completamente pessimista. Apenas comentava com as pessoas que vinham perguntar sobre, por eu ter comentado que tinha “conseguido uma editora”. Dizia, mas já falando que estava caro de mais e não valia isso tudo. Mas é óbvio. Não posso ser tão hipócrita. Quem compraria um livro sem capa por oitenta e poucos reais e de um autor que nunca ouviu falar na vida. Só amigo mesmo, como foi o caso da minha amiga Nathália (que sempre será Delacroix, ainda não me acostumei com Azevedo), que fez questão de ser a primeira. Fora que desde 2005, todos me conhecem por Uole, então, ao verem Victor Hugo… Logo viriam com a pergunta: “- Foi você mesmo que escreveu? Lá está escrito outro nome”. Ou diriam: “- Não achei teu livro lá não, mas tem um sem capa com nome parecido, de um tal Victor Hugo”. Não… Não era do grande romancista francês, Victor Hugo… Era o meu mesmo.

Em Novembro, a tal resposta chegou. Bom… A resposta? Mais ou menos assim: “Esta bosta que você nos deu pra ler e perder nosso precioso tempo, não tem ¼ do que pedimos. Muito obrigado e boa sorte na próxima tentativa”. Parei. Sentei. Pensei. Refleti. Etecetera. Se todo mundo que lê o livro gosta, o que há de errado? Não acham a história tão boa? Não tem um linguajar que faz o leitor ficar mais preso ao dicionário do que concentrado na história do livro? Mas aí entra outra questão. Nunca fui fã de livros com um português todo modelado em “Aurelianês”. O que me afastou dos livros durante a adolescência era isso, só me davam livros que me faziam ler mais o dicionário do que o próprio livro. O dicionário quase se tornou uma Bíblia pra mim… O que não deixa de ser hoje. Fora que conforme as coisas andam atualmente e a falta crescente do interesse por leitura… Pra quê vou escrever um livro do jeito que eu não leria quando adolescente? E entre outros pensamentos que rodeiam minha mente conturbada.

Depois disso comecei a pesquisar mais sobre editoras renomadas, novas, concursos literários, novos autores, blogs de escritores, dicas e etc… Conforme o tempo foi passando, cada vez mais fui vendo que tinha feito “tudo errado”, mas que se enquadrava, nos mesmos erros que muitos autores renomados cometeram quando se afobaram com seu primeiro livro. Pelo menos estava no caminho certo… Amadurecer para o próximo. Em Março comecei a escrever Ventura, que vou participar no Prêmio SESC de Literatura. Mais maduro, o revisei oito vezes e achando pouco. Agora estou no aguardo do resultado, que sai em Janeiro.

Quanto ao primeiro livro, Sua Última Flor, o contrato findará em Outubro e irei relançá-lo. Por ser pobre de marré deci, como já disse, e por não ser mais uma obra inédita, vou lançá-lo por outro site, que me pareceu bem mais interessante do que o primeiro. Nesse, vai ter capa, contracapa, tudo bonitinho. Mas aquilo… Produção completamente independente. Revisão, diagramação e capa, tudo por minha conta. Já o revisei mais quatro vezes, a Silvia fez a última revisão pra pescar o que se passou despercebida por mim, o Denis desenhou a capa e já diagramei. Dentro de alguns dias, lançarei por este site novo e vocês poderão comprar minha humilde primeira obra. E quem acompanha o blog e gosta do que eu escrevo, por favor, faz pensamento positivo pra que eu ganhe o concurso. Ventura realmente está com uma história muito interessante e bem mais madura que Sua Última Flor. Mas só notará a diferença, se ler os dois.

Moral da história… Você que escreveu seu primeiro livro e está sem Norte, não se afobe. Querendo ou não, a carruagem vai andar lenta e tem que priorizar todos os processos, antes de pensar em correr atrás de uma editora. Assim que terminá-lo, cinco revisões é pouco… Pouquíssimo. Depois das várias revisões, escolha uns cinco amigos que você sabe que são sinceros e que gostam de ler e mande o livro para eles. Pelos relatos de cada um, você vai ter certeza dos impactos que seu livro causa e se a história está realmente boa. Depois disso, tem vários caminhos que você pode seguir. Um conselho, leia esse post e use o Google com frequência: http://www.napontadoslapis.com.br/2011/06/dicas-para-publicar-e-distribuir-o-seu.html

Vida de escritor iniciante não tem flores como muita gente pensa. Posso te dar certeza absoluta, por ainda ser um.

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Um pensamento sobre “#Special-post: Por trás das flores / Vida de escritor iniciante / Sua Última Flor

  1. Esse post foi quase o terceiro livro, hein =x
    Bora torcer pelo SUF e pelo Ventura! Foi uma honra poder ajudar =*

    E as melhores coisas dessa vida, a gente conquista depois de muito esforço!

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