eu?

Quando acordei no dia seguinte, não queria ir embora. Mas você gentilmente me colocou pra fora dizendo que tinha que ir trabalhar e que pegaria mal deixar-me ali sozinho. Você dividia a casa com uma prima que chegaria de viagem naquele dia. Um beijo de despedida. Depois de dez passos, já fora da sua casa, senti uma louca vontade de te acompanhar até o trabalho. Quando me virei em direção ao ponto de ônibus, você já tinha sumido da vista. Tarde! Puxei o celular do bolso, digitei e enviei: “Já estou com saudade”. Só parei pra pensar depois que apareceu no visor: “Mensagem enviada!”.

O mais estranho foi chegar a minha casa com a sensação de que tinha acabado de nascer. As únicas coisas que eu tinha pra lembrar eram: uma tarde num parque, uma linda leitora, um jantar engraçado, Bee Gees e o suor de uma linda mulher. O dia inteiro foi assim… A tarde inteira… Até que de noite fui surpreendido por uma mensagem dizendo: “Se tem saudade, vem me ver!”. E eu fui! Eu lembrava onde você morava e ainda lembrava quem era você. Em outras épocas eu me perguntaria quem é ou pensaria que era mensagem enviada pra pessoa errada. Mas eu sabia e desejei muito receber aquela mensagem!

Vesti meu traje mais bonito e fui ao seu encontro. Chegando ao endereço que passei para o taxista, achei estranho… Não tinha nada a ver com o local que eu estive no dia anterior. Será que tinham se passado anos e eu não me dei conta? Tudo ao meu redor não tinha nada do que tinha ontem. Fiquei com vergonha de te ligar e perguntar exatamente onde morava, mas na hora me perguntei: Quem é você? O que estou fazendo aqui? Quem sou eu? Então voltei pra casa. Sem querer, pra casa da minha mãe. Acho que você foi apenas uma história que escrevi e não vivi. Bem que podia ter vivido, pois, realmente, esse não sou eu.

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