Como tudo começou (Carlos e Vânia) – Parte 1

 

Quatro anos e meio tinha se passado desde que foi chutado, junto de seis anos de casamento, pra fora de casa pela sua amada, que, felizmente, já se tornou “ex-amada”. Mas ainda não esquecia como tudo aconteceu. Tinha dezoito anos quando a viu pela primeira vez no início das aulas em Fevereiro. Ela era a garota mais linda da escola, e o melhor… Duas séries abaixo, o que já o tornava um caso a se pensar, pra ela. Sabia que todo rapaz que chegava no 3º ano ganhava alguns pontos ilusórios de beleza, popularidade e sei lá mais o que, só sabia que era assim: Que garota da 8ª ou 1º ano não adoraria dizer toda eufórica pras amigas, que estava saindo com um carinha do 3º ano? Quantas vezes quando estava na 8ª ou no 1º, ficava perplexo ao ver a garota mais linda da sua sala saindo com o cara mais escroto da escola, que por nenhuma coincidência era da porra do 3º ano? Tinha tudo e nada pra despertar o interesse daquela garota nova que viu na fila da turma do 1º ano. Sabia que tinha que ser rápido, pois alguns de seus colegas de turma já estavam comentando e de olho. “– Mas que merda, primeiro dia, ainda estamos na fila e esses caras já estão de olho?”. Pensava recriminando-os antes de pensar: “– E eu estou querendo dizer o que?”.

Enquanto subia as escadas pra sua sala, não conseguia entender como aquela garota chamou tanto a sua atenção. Aquilo nunca tinha acontecido. Será que era assim como todos os garotos como ele, quando chegavam no 3º ano? Não queria pensar como: “– Não posso sair dessa escola sem ter ficado com ninguém!”. Chegando à sala, sentou-se na cadeira mais próxima da porta e ficou contando as horas pra que chegasse o intervalo. Enquanto subia, tinha reparado qual era a porta da turma do 1º ano. E enquanto os minutos passavam, tentava forjar uma cara de conquistador seguro, tentando esconder sua cara de garoto virgem do 3º ano. Não era bem assim, mas nunca tinha conseguido se envolver com alguém da escola, só de outras. Mas o que queria se sempre foi um dos únicos que realmente ia pra escola só para estudar? Parecia até que durante anos, preferiu manter sua “identidade secreta” em sigilo dentro da escola, e quando saía… Bom, agora são outros quinhentos.

Assim que o sinal tocou, levantou num pulo e saiu da sala. Correndo pelo corredor de salas, enquanto tentava se lembrar do número da sala do 1º ano, esbarrou em alguém. Aquelas cenas de filme quando o cara cai por cima da garota, na posição de flexão: os braços esticados segurando o peso do corpo, as mãos palmeadas no chão e a garota toda contraída debaixo de seu corpo. Seus olhos se arregalaram ao ver quem era.

– Me desculpa. – disse ele todo sem graça enquanto pensava: – Pronto, estraguei a porra toda.
– Tudo bem. – sorriu simpática. – Eu que estava distraída e não te vi.
– Não, a culpa é toda minha mesmo. O inspetor já disse bem que não quer ninguém correndo no corredor.
– Tudo bem, a culpa é sua mesmo. – olhou para o lado. – Você pode sair de cima?
– Ah.

Levantou-se num pulo e agachou todo cuidadoso, ajudando-a.

– Me perdoa, sou meio estabanado mesmo. – sorriu torcendo o nariz.
– Eu também. – sorriu. – Me chamo Vânia e sou nova nessa escola. – estendeu-lhe a mão.
– Carlos. – cumprimentou-a.

Quando ficaram calados, o silêncio se dissipou. Só assim notou o monte de gente passando pra lá e pra cá no corredor.

– Alguém já te apresentou a escola? – perguntou Carlos.
– O diretor quando vim com a minha mãe conhecer a escola. – fez uma pausa, olhou para um lado e para o outro. – Por que, tem lugares secretos que só poucos alunos sabem? – falou baixinho com uma expressão divertida.
– Esses eu ainda não posso te contar. – foi caminhando enquanto ela o seguia. – Acabei de te conhecer… Minto! Acabei de esbarrar em você. – sorriu. – Ainda não te conheço pra saber se é confiável. Se eu contar agora, teria que te matar em seguida.

Vânia laçou seu braço esquerdo e pela primeira vez, ele viu aquele belo sorriso que viria a descobrir depois, que ela só soltava quando estava com ele.

– Já vi que vamos nos dar muito bem. – disse ela.
– Me dei bem. – pensou ele.

Continua…

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Um pensamento sobre “Como tudo começou (Carlos e Vânia) – Parte 1

  1. 3º temporada com “visu” novo do blog, Ficou lindão.. vou ficar de olho no blog e acompanhar as histórias com certeza.

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