Como tudo começou (Carlos e Vânia) – Parte 2

Passaram juntos todos os intervalos daquela primeira semana de aula. A cada minuto de conversa que se passava ele ficava cada vez mais fascinado em conhecer um pouco mais daquela garota do 1º ano, que mais parecia uma mulher. Já na quarta conversa teve certeza de que seria bem difícil algum outro concorrente ter sucesso, e vendo pela situação em que se encontrava, ele já estava bem na frente de qualquer outro. Show! Na sexta-feira ela o surpreendeu ao pedir seu telefone quando se “esbarraram” na saída da escola, esbarrão que foi completamente forjado por Carlos ao vê-la rumo à portaria.

– Não é por nada…  – disse ela. – Não que eu vá te ligar esse final de semana. – sorriu ajeitando as alças da mochila no ombro. – É mais para o caso de emergência mesmo.
– Como assim? – perguntou ele depois de alguns segundos em silêncio tentando digerir aquela informação.

Vânia soltou uma risada meneando a cabeça:

– Tá bom, eu vou te ligar amanhã pra gente não chegar segunda-feira cheios de saudade.

Carlos ficou admirado ao ver a mutação de seu rosto ficando corado e percebeu naquele instante que já estava apaixonado, e pelo visto talvez pudesse ser recíproco.

– Tem problema? – perguntou estranhando o fato de ele ter ficado calado sorrindo e a encarando.
– Nenhum.

Ela tirou a mochila das costas e a prendeu entre as pernas. Abriu e tirou sua pequena agenda rosa cheia de adesivos e um estojo de canetas. Carlos passou-lhe seu número, ela anotou e logo depois arrancou um pedaço de folha e o entregou.

– Aqui o meu. – disse ela. – Seria legal que você me ligasse no Domingo.
– Por que Domingo? – perguntou ele olhando sua bela caligrafia naquele papelzinho que acabara de pegar.
– Eu não vou te ligar amanhã? – guardou a agenda e o estojo. – Você liga no Domingo. – encarou-o e sorriu. – Simples, não?

Depois de minutos de bate-papo, sobre o que fariam no final de semana, no ponto, Vânia fez sinal ao ônibus que se aproximava. Carlos memorizou bem o número e o nome do lugar, e assim que ele sumiu da vista, atravessou a rua, rumo ao ponto onde seu ônibus passava.

Em casa, poucas horas depois do almoço, tirava seu material escolar da mochila quando encontrou o número de Vânia. No mesmo segundo que o viu sentiu vontade de ligar, nada de esperar. Enquanto tentava se controlar, sua mãe entrou no quarto com o telefone sem fio deitado no colo:

– Carlinhos, uma garota com nome de Vânia está perguntando se pode falar contigo. – sorriu por achar muito estranho chamar uma garota por um nome tão forte. – Digo que você não está ou o que?
– Pode sim! – correu na direção da mãe, pegando o aparelho e levando-o rapidamente a orelha direita. – A que devo a honra? – sorriu.

Sua mãe saiu do quarto.

– Surpreso? – perguntou a voz de Vânia um pouco modificada do outro lado da linha.
– Pra falar a verdade, sim. – sentou-se na beirada da cama, olhava para o número no papelzinho em sua mão enquanto pensava: – Ainda bem que não liguei.

Ficaram horas pendurados no telefone até que a mãe de Carlos voltou ao seu quarto dizendo que queria utilizar o telefone. Antes de desligarem, Vânia pediu pra que ele ligasse no Sábado, por volta do mesmo horário, já que ela tinha acabado de ligar. E assim como combinado ele ligou e tiveram mais algumas horas pendurados no telefone até começarem a ficar sem assunto. Antes de desligarem:

– E agora, quem ligará amanhã já que você me ligou ontem e eu te liguei hoje? – perguntou Carlos.

E pra sua surpresa:

– Quem não conseguir controlar a vontade de ligar.

Pela primeira vez tiveram algo meio parecido com o que geralmente acontece com os casais de “namoradinhos”:

– Ah, com certeza vai ser você. – disse Carlos.
– Nada. – soltou uma gargalhada. – Você não vai aguentar ficar muito tempo sem ouvir a minha voz linda e maravilhosa.
– Será? Será? Será? – brincou. – Sei que você vai tentar dar seu máximo, mas não fique com vergonha de ligar, viu? – riu.
– Digo o mesmo pra ti, querido. – e fez um barulho de beijo estalado.
– Até amanhã?
– Até.

Assim que desligou, deitou na cama com um sorriso de orelha a orelha e pensou: “– Ela vai ligar, tenho certeza. Já está na minha!”. Porém, a história foi completamente diferente. Quando passou do horário que tinham se falado na Sexta e no Sábado, começou a ficar inquieto e tentando pensar nos motivos pra que ela ainda não tivesse ligado. Começou a vira-mexe pegar o aparelho telefônico, discar metade dos números e jogá-lo em cima da cama antes de completar a discagem. Ao pensar que algo poderia ter acontecido, resolveu deixar o orgulho de lado e ligou.

– Ainda bem que você ligou! – disse Vânia antes do segundo toque, seguido de um longo suspiro de alívio.

Continua…

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