Como tudo começou (Carlos e Vânia) – Parte 4

O ano mal tinha começado e já tinha uma entrevista. Não era o emprego dos sonhos, mas poderia ser o emprego que facilitaria a construção dos seus sonhos. E Fevereiro começou assim: Carlos acordando cedo pra ir trabalhar e Vânia pra escola, cada um em sua respectiva casa. Com essa agenda nova, ficava mais difícil de encontrarem-se, e depois disso, todo ano o relacionamento passava por todas as quatro estações, mas nem sempre na mesma ordem… A primavera: Quando tudo são flores, alegria e nada afeta; O Verão: Quando o calor corporal está além do normal e até um esbarrãozinho sem querer no lugar certo, excita; O Outono: Quando a fase está ruim e qualquer coisinha gera briga; e O Inverno (que sempre vem depois do Outono): Quando ainda não superou a última briga, alguma coisa que ainda não saiu da cabeça e parece, às vezes, que terminar é a melhor solução.

Conforme os anos foram passando, Outono e Inverno duravam cada vez menos, o que fazia Carlos ter certeza que poderia ter perdido muita coisa boa se tivesse terminado em um dos muitos Invernos que tinham passado. Um ano depois, quando Vânia cursava o último ano, perdeu os pais em um acidente de carro. O trauma foi terrível, ela passava o dia todo na casa de Carlos chorando e falando que a vida tinha perdido o sentido. Foi uma fase inexplicavelmente ruim. E na pior noite, quando a ficha caiu completamente e Vânia perdeu o controle:

– O que eu vou fazer da minha vida, Carlos? – gritava histericamente. – Eu mal fiz dezoito anos e já estou órfã!

– Tecnicamente… – tentou dizer.

– Eu sei que já sou maior de idade. – gritou mais alto que antes. – O que vou fazer da minha vida sem os meus pais? Eu ainda não terminei os estudos, não tenho um emprego, meus familiares moram em outros Estados. – e começou a chorar de soluçar.

Carlos aproximou-se e a abraçou:

– Eu vou cuidar de você, anjo. Eu juro!

Continua…

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