Como tudo começou (Carlos e Vânia) – Parte Final

Vânia passou a morar com Carlos e sua mãe. Meses depois que ela terminou os estudos, eles se casaram, e com o consentimento de sua mãe, ele limpou a conta bancária que seu falecido pai tinha deixado, juntou com a grana que estava guardando desde que começou a trabalhar e comprou um apartamento no Centro, próximo da empresa que trabalhava. A vida nunca esteve tão boa quanto estava e finalmente eles eram um casal de verdade. No começo era meio apertado, se sustentavam apenas com o salário de Carlos. Queria ganhar mais pra poder dar mais e nunca faltar nada dentro de casa. Então começou sua jornada em mostrar serviço, ser notado e indispensável. Sempre que seu patrão precisava de alguém pra trabalhar algumas horas a mais, era o primeiro a se disponibilizar.

O tempo foi passando, foi ganhando algumas promoções que mal pareciam que seu salário tinha melhorado. Pelo menos duas vezes por semana sofria quando chegava a casa tarde e Vânia reclamava da hora, que seu trabalho era escravo e ele não tinha que se sujeitar a tais condições e etc. Mas se ele não trabalhasse como eles se sustentariam? Nunca foi de trocar o certo pelo duvidoso ou reclamar de barriga “cheia”. Fora que pra ele aqueles esforços estavam valendo muito a pena… Não faltava nada em casa, Vânia tinha quase tudo que queria (dependendo do preço) e mesmo quando chegava cansado, ainda assim encontrava fôlego para fazerem amor. Então um belo dia, ocorreu o que você já sabe bem…

– Pois é… A vida era boa. – disse Carlos, deitado em sua cama, assim que findou sua recordação de como tudo começou. – Você não queria saber a minha história com ela? – olhou para o lado. – Tenho certeza que não fiz nada de errado.
– Você é um bom homem e tem um grande coração. – disse Paula com os olhos brilhando de orgulho e um pouco de ciúmes por dentro. – É por isso que eu te amo. – deu-lhe um selinho.
– Tenho certeza que é por isso. – brincou.
– E nesses quatro anos que estamos juntos, você nunca pensou em voltar pra ela?
– Uma vez. – olhou para o teto. – Lembra aquele dia que ela veio aqui?
– Lembro sim. – acariciava seu peito por debaixo do edredom.
– Foi difícil dizer na cara dela que eu não a queria mais.
– Enquanto o que queria mesmo era dizer que queria.
– Exatamente… – voltou a olhá-la. – Nós dois tínhamos apenas quatro meses de namoro, lembra?
– Lembro sim, com certeza. E o que fez você ficar comigo?
– Ela teve a chance dela e jogou fora. – segurou a mão que acariciava seu peito, levou até perto da boca e deu-lhe um beijo. – Você estava tendo a sua.
– E se eu te decepcionasse também?
– Paciência. – sorriu. – Seria mais uma que jogou a vez fora.
– Naquele dia que ela apareceu aqui, eu pensei em ir embora.

E o silêncio reinou por quase um minuto.

– O que te fez ficar?
– Sempre tive certeza que você precisava mais de mim do que dela. Só temia que demorasse a perceber ou fizesse alguma merda antes… – soltou uma gargalhada baixa. – Você não tem ideia do quanto era visível o estrago que ela tinha feito em você.
– Imagino… Sou muito transparente. – apertou sua mão de leve. – Então por que pensou em ir embora?
– Sabia lá que você resistiria à visita dela? Enquanto eu estava lá dentro, ficava me remoendo pra tentar ouvir o que conversavam lá fora. – riu sem graça. – Eu, no seu lugar… Não sei dizer o que eu faria, mas tenho ideia do quanto seria difícil se uma pessoa que eu tive toda uma vida reaparecesse me querendo de volta.
– Já aconteceu contigo?
– Acho que já aconteceu com todo mundo. – colou-se mais ao seu corpo. – Até hoje em dia, às vezes esbarro com familiares do meu ex e é sempre aquela mesma ladainha. – fez uma cara engraçada. – Que o pior erro da vida dele foi ter terminado comigo e todo aquele blá blá blá. – sorriu. – São pessoas legais, gosto muito deles e tudo mais, mas não fazem ideia do quanto eu sofri com as coisas que ele fez no final e depois.
– Não sei como é isso… Nunca conheci ninguém da família dela, além dos falecidos pais.
– Isso é uma tortura, por que às vezes você fica com a sensação de que foi você que terminou… Você que fez a merda toda… É fo-da! – riu.
– Imagino.
– Mas agora que eu te encontrei e descobri que ainda existem bons homens e de grande coração. – deu-lhe um selinho. – Não vou perder isso por nada.

Carlos ajeitou-se na cama ficando de frente pra ela.

– Escuta bem o que vou te dizer.

Paula olhava-o nos olhos.

– Não trocaria esses nossos quase quatro anos por nada! Muito menos por seis anos com um amor antigo, que já passou e deu o que tinha que dar. Meu presente se resume em você e o meu futuro eu deixo todo em suas mãos.
– E eu não troco esses nossos quase quatro anos por nada! – sorriu imitando-o. – Muito menos por dez anos com um amor antigo, que já passou e deu o que tinha que dar. Meu presente se resume em você e o meu futuro e o seu futuro, pode deixar em minhas mãos que eu dou conta!

E entregaram-se a beijos apaixonados. Longos minutos depois:

– Agora temos que levantar, nosso casamento é hoje à noite! – disse Carlos depois de um beijo na testa.
– Verdade. – sorriu apaixonada, com os olhos brilhando. – Hoje vai ser o dia mais feliz da minha vida!
– Nosso… Com certeza!

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