Hasta luego

Essa semana eu senti uma louca vontade de comprar um terno e uma passagem pro primeiro lugar que aquela voz sexy de um aeroporto mais próximo, anunciasse partida. Deixar tudo pra trás, me esperando, na incerteza se vou ou não voltar um dia. Principalmente você, que me ensinou ser completamente natural vez ou outra sentir uma vontade repentina de não ouvir a sua voz, não querer saber o que anda fazendo e às vezes até, não querer saber quem é você. Então, foi num momento desses que eu senti essa louca vontade de… Bem, eu já disse. A grande cidade que transformamos numa pequena cidade, descoloriu e perdeu o sentido. “Monocromatizou-se”. Tentei arquitetar um novo mundo na pequena cidade, transformá-la, talvez, num universo… Mas você estava certa, não dá! Pois sempre que eu atravessar uma esquina fingindo ter atravessado um Estado, você vai estar na próxima rua pra me dizer que eu não saí do mesmo lugar. Acho que você não teve infância e não sabe brincar… Ou eu não tive, sei lá. Pra você, só dá pra atravessar um Estado dentro de algo barulhento, que você quase não se movimenta e tem quatro rodas ou mais. Pois é, você tem medo de moto, e ônibus não é algo que pode ser adquirido, comprado.

Você tem toda razão quando diz que eu pareço uma criança. Mas, pensa bem… Vai dizer que não era bom quando seus únicos problemas eram: o fato de não poder dormir um pouco mais tarde, ter que acordar todo dia bem cedo pra ir à escola, não poder ir muito longe de casa sozinho, não poder escolher o canal da TV ou o filme no fim de semana e etc.? O verão não incomodava tanto quanto hoje em dia, o inverno não esfriava tanto, a gente nem reparava que as flores realmente somem no Outono, e a primavera parecia sempre mais florida que a anterior. Hoje em dia o calor anda estressante, o inverno dá vontade de hibernar como um urso, a gente mal sabe quando está no Outono e nem repara quando as flores já floresceram por completo. Só percebe duas estações: Inverno e Verão… Inverno e Verão… E isso dá no saco!

Quero partir por aí e me descobrir, me encontrar em outro lugar sem sair de onde estou. Não me sentir errado e não esquecer a certeza de que pelo menos eu lutei, caí, levantei, apanhei, continuei lutando e só desisti ao ver que meu rival já tinha saído da luta, só pra poder assistir. As reprises que tive que vivenciar, proporcionadas por quem tanto me fez duvidar, já não tem o ibope que minha nova saga já tem. Acho que está mais do que na hora de realmente pegar o meu terno e não perder esse voo… Hasta luego.

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