Seriado

Sabe aquelas vezes que a nossa vida parece um filme ou seriado, com direito a fundo musical e tudo? Bem no estilo daqueles filmes que nunca nos cansamos de ver no cinema, depois alugamos quando lança na locadora e assistimos até os comerciais mesmo quando reprisa à tarde? Quase sempre fico nessa viagem… Alguma coisa acontece e já ouço alguma música tocando no fundo. Parece até que minha vida tem 24h de trilha musical, e como em todo filme, nem sempre a música toca toda ou espera uma acabar para outra iniciar. Às vezes parece até que contratei uma banda para fazer a trilha sonora do dia inteiro… Isso geralmente acontece quando você está na merda e seleciona “as melhores” do mesmo artista. E tem aquelas que por um longo tempo ficam diariamente na lista das trilhas, mas, sei lá… Será que estou vivendo o “O Show de Truman?”.  Não vou me aprofundar nisso, pois sempre traz um pouco mais de loucura para minha insanidade particular.

Em alguns momentos me pego pensando seriamente em começar a escrever uma história baseada nos belos acontecimentos fatídicos do meu cotidiano, o filho prodígio do azar que nunca conseguiu virar a bunda para a lua, que tem uma estranha mania de nunca se julgar merecedor de nada, que está sempre no caminho das pedras que afundam, só encontra pés de coelho com o dedo do meio destacado e coleciona troféus de papelão feitos e premiados por ele mesmo. Quer mais? Nesse exato momento está tocando “I’m a loser” dos Beatles aqui no fundo.

Vou explicar o porquê, antes que pergunte: “- Mas pra que tanta depressão? A vida é bela!”. Pois é… Não sou sempre assim. Ontem, a noite iniciou com uma briga feia entre mim e a mulher que amo, mas às vezes cometo algumas idiotices que a magoa. Por orgulho, não levei a sério quando ela disse que já estava de saco cheio e que se não mudasse certas coisas na minha vida, ela iria embora. Eu disse que ela tinha mais é que aceitar, pois me conheceu daquele jeito. Por que a gente usa essa desculpa? É óbvio que as pessoas mudam e com certeza eu não era tão chato com essas coisas e ela tinha mais paciência. As coisas chatas aumentam, a paciência diminui e um dia se aumenta novamente. Não é tão difícil mudar… Mas a gente só tenta, quando perde. Enfim… Quando ela chorando foi embora, bateu a porta e a minha ficha caiu, tocou “Don’t let me down”… Mais um clássico dos Beatles.

Não desci a tempo de encontrá-la no ponto, nem liguei a tempo de não cair na caixa postal. O bar da esquina me convidou tocando “Always”, do Bon Jovi, como trilha sonora. O celular dela continuava dando fora da área e eu não sabia se ela tinha recebido a mensagem: “I’ve made mistakes, I’m just a man”. Horas depois, em casa, a trigésima ligação também caiu na caixa postal. O colchão da cama parecia mais duro que o normal. Fechei os olhos e comecei imaginá-la trancada no quarto iluminado pela luz da lua, chorando sentada perto da janela, e ouvindo: “Apologize” da One Republic.

Melhor eu dormir e esperar pelo próximo episódio desse seriado conturbado que vivo. E minha noite finaliza com: “Please, forgive me” – Bryan Adams.

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