Vou ai te convencer

 Todo dia eu a vejo. Aquele sorriso que forja quando esta em grupo não me engana, pois sempre que a vejo passando sozinha, os seus olhos castanhos escuros, solitários, não me escondem a verdade. E olha que nunca nos apresentamos, mas, conheço bem esse seu tipo. É do tipo que me atrai… É tipo eu, que já viu de quase tudo e anda vendo quase pouco, quando novidade começa a se tornar raridade, espécie em extinção. Quando já se está prevenido para qualquer coisa que há por vir, e o diferente é só o início… Meio e fim, sempre igual, já é normal. O que às vezes mata no fato de saber tudo isso, é que quando surge um novo início, você não se entrega tanto por conta dos tantos meio e fim iguais que já viveu. E mesmo se entregando pouco, quando menos espera, está no meio, onde você já largou totalmente a mão do mundo para poder segurar uma só mão… Até o ponto em que aquela mão larga a sua, pois sente falta do ilusório conforto do mundo. Fim. Cá está ele de novo.

 Enfim, voltando a falar dela… Tem horas que eu me encho de coragem para chegar ao seu lado e me anunciar, puxar assunto, saber seu nome. Mas quando chego perto e ela nem olha, pois está sempre entretida no Facebook pelo celular, a coragem se esvai… Todinha, todinha. Em um mês, o máximo que consegui foi muito pouco, como: dar meu lugar para ela sentar no ônibus e ganhar um sorriso junto de “Obrigado” no pacote; o toque de seu celular é ‘Talking To The Moon’ do Bruno Mars, mas já a vi usando uma camisa com a logo da banda Foo Fighters; tem tatuado nas costas, perto do ombro direito, uma flor de lótus linda; gosta de ficar sempre na parte direita do ônibus; em dias de Sol está sempre com seu Rayban gêmeo do meu… Eu tinha dito muito pouco, não? Pois é.

  Tenho quase certeza que saiu há pouco tempo de um relacionamento longo. Mas não tão simples assim, deve ter sido como eu… Saiu sem querer, expulso do jogo sem ter cometido falta. Grande equívoco! Bem que a gente podia marcar uma reunião, para tratarmos sobre um novo time, que vai trazer a taça para casa, não? Eu e ela contra o mundo! Vai que, nessa, a gente em vez de chegar naquele mesmíssimo fim, não chegamos ao final do campeonato mundial dos relacionamentos duradouros? Do tipo: nós dois e nossas rugas, você, seu gato batizado Domingos (por eu ter lhe dado em um belo dia de domingo), a cadeira de balanço, seu tricô, e eu, minha churrasqueira velha, minha cadeira de balanço e o caderninho de palavras cruzadas… Na mesma casa, na mesma varanda, no mesmo quintal, nas fotos do tempo espalhadas pelas paredes… No nosso fim interminável, depois de um meio memorável e um início bem estranho, como pode ser esse, que eu relato agora. Só depende de você. Ou de mim. Ou de nós. Tudo bem, me decidi, vou ai te convencer.

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