Eu e minha rugas

 Se tivesse visto o que já vi e tenho visto, talvez fosse mais fácil. Mas quem gosta de se garantir em um incógnito “se”, ou um vulnerável “talvez”? É automático e não tem como negar. Parece que quando se desfaz o nó que a gente fez com tanto capricho, tanto cuidado, e até exagerando na força, só lhe resta parar e olhar a ponta puir e a outra sumir. A gente se lembra das vezes que falamos aos outros “um dia isso vai passar”, mas na nossa vez, parece que esse dia nunca irá chegar… Passar. Nessas horas, por mais que seja forte, o mais fácil é evitar, fugir, fingir… Se encarar, vai desabar. Fato. Principalmente para quem acabou de descobrir que era tudo realmente o contrário do que imaginava. Pensava não ser amor, no fim, é muito mais que isso. Pensava não ser feliz, no fim, descobriu a realidade em uma tristeza. Pensava não ter tempo para nada, no fim, se viu uma pessoa ociosa e entediada. Pensava em sair da rotina, no fim, caiu mais ainda e bate o pé para ficar nela. E por aí vai, por aí foi, e daqui a pouco vem, como quem não quer nada, só para saber como vai, quando o enorme orgulho dá brecha para que seja realmente quem é, o que é. Mas, quem é? O que é? Nem deve saber… Parece que nunca sabe de nada. Realmente, a única certeza que sempre tem é essa… Não saber de nada.

  Os dias passam… Como se fôssemos aeroportos, ‘pessoas-aviões’ vão e vem a todo instante. Chegando e partindo. Se importando e se exportando. Te exportando e te importando. Quem você quer que chegue, não chega, e quem você quer que parta, insiste em ficar. Começa então a redução de vagas. Se um não vem, não virá mais ninguém! E quem não quiser partir, assim será, e ficará estagnado aqui nessa merda! Agora imagine essas duas frases berradas com fúria em um megafone dentro do aeroporto. Lindo, não? Quem estivesse chegando só por chegar, daria meia-volta, e quem estivesse querendo ficar só por ficar, estaria partindo. Mas, mesmo assim, quem você quer que chegue não chegará. Esperança, fé e saudade, são para quem tem. Se tiver só uma delas…  Não sei… Pois é, eu não sei. Chegando aqui, se percebe a ‘tripolaridade’ que esta vivendo. Uma hora é saudade, outra é já foi tarde, e, outra… Tanto faz. Tanto faz mesmo? Já foi mesmo? Sim, bate saudade.

  O pior, também, deve ser para quem fez a merda, melhor, as merdas, depois ficar se fazendo de vítima. Uma tremenda cara de “Massaranduba”, isso sim! Como consegue essa proeza, a gente perde neurônios e madrugadas tentando descobrir. Tenta levar a vida ‘de boa’, evitando pensamentos, certos discos, certas estações de rádio, certas reprises na TV e etc., mas é só ver a outra ponta se fazendo ou fazendo de tudo para fingir que é sem intenção essa fumaceira na grande fogueira chamando sua atenção, e sua ponta se contorce, diminui, perde o sabor… Decide agora ficar em quarentena no congelador e não percebe que o motor está ruim. Quantas quarentenas serão necessárias para sair dali frio, congelado? Espero que essas quarentenas não se tornem ‘quarentanos’! Há muita vida além de um congelador. Cuidado com o verão, cuidado com o Sol, ele pode ser traiçoeiro. E assim, como quem não quer nada, a vida nos trás rugas! É… Assim mesmo… Eu e minhas rugas… Estou com rugas de saudade.

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