Alguma coisa

 Sou uma pessoa muito indecisa, mas algumas indecisões eu faço questão de deixá-las indefinidas… Melhor: Indecisas. Tem coisas que ficam melhores enquanto estamos na indecisão, do que tentar matar o gato e acabar deixando a canoa virar. Continuo remando até chegar à beira-mar, pois, quem sabe lá, não dê pra matar o gato? Só assim a canoa não corre o risco de virar. Quando vira, o bote salva-vidas pode demorar e/ou a gente pode não conseguir nadar, ou até perder as forças de tanto nadar… Ou morrer afogado mesmo. Então, não, não quero ser o culpado pela canoa virada. E às vezes quando a gente quer que alguém segure a corda, esse alguém a pega e só enrola. Quem a gente quer que solte ou enrole, resolve segurar, às vezes sem querer ou por querer. E aquelas pessoas com mania de puxar? E as com mania de segurar só para soltar? Enfim… Todas vocês, larguem essa joça e dou meu jeito. Já pensou? Devia dar pra enfiar na cabeça das pessoas: “segura essa porra aí!”, “não precisa enrolar, pode soltar que eu me viro” e “esquece, não é mais uma corda, agora é um cabo de guerra!”.

 Nossa vida tem muitas ruas, estradas, quarteirões e etc… Às vezes a gente pega uma rua, e no meio do caminho fica se perguntando se uma daquelas outras não seriam mais rápidas, ou com uma vista melhor, ou se teria levado a um lugar diferente, e por aí vai. Esquecemos de pensar que se pegamos aquela rua, independente de em que outra rua ela tenha dado ou por qual estrada tenhamos passado batido ou quantos quarteirões tivemos que atravessar, foi por nossa própria vontade. Às vezes a gente pega uma estrada tão longa, que vez ou outra esquece quem você é, ou esquece o propósito ou por que tomou aquele rumo, mas espera que tudo fique bem no final, e ao relembrar, pode trazer algumas dúvidas ou pode te dar aquela revigorada. Às vezes a gente para em um quarteirão, que a vizinhança é bonita, prestativa, de festas e convites, mas você fica com a sensação de que não pertence a aquele lugar ou que não é merecedor, mas resolve ficar por que no fundo, te faz um bem danado. E não é vergonha nenhuma traçar o caminho de volta até tal rua ou estrada ou quarteirão. Vergonha é persistir numa rua que você sabe que não tem final, parar no meio da estrada e esperar carona, residir em um quarteirão de vizinhança ruim e que te faz mal, além de tudo aquilo que já é normal.

 Há quem diga que é impossível ser feliz sozinho, assim como há quem diga que antes só do que mal acompanhado. Há quem diga que água mole em pedra dura, tanto bate até que fura. E água dura em pedra mole? Tanto bate até que esfole? Esfola? Enfim… Ditados populares são feitos de momentos, mas duram uma eternidade, e sempre virão ao caso… Momento! Nem sempre a gente quer realmente estar sozinho ou acompanhado. Nem sempre a gente vai querer que a água mole fure, ou, melhor, comece a chover água mole, ou que sejamos a tal pedra dura quando chove água mole. Complicado? Nem um pouco. Continuando… Nem sempre a canoa vira por que a gente remou mal, essa é a verdade. É mais difícil ela não virar do que virar. E com o tempo a gente aprende que o “sempre” fica mais bonito no “nem sempre” do que no “pra sempre”, pois este último, começa a parecer desejo de criança, que muda constantemente. O “pra sempre” é algo que nem sempre tem o consentimento das duas partes envolvidas, ou da parte desejada, ou de qualquer coisa em que coloquemos essa camisa. Às vezes a gente fica preso a palavras repetidas, pois ajudam a expressar melhor o que você, talvez, preferia não expressar ou só expressar de qualquer jeito mesmo. Entram muitos: as vezes, muito(a) e muitos(as), alguns e algumas, coisa e coisas, quem sabe, mas, e por aí vai. Ou as vezes, quem sabe, é só algum texto de alguém que não consegue contar as muitas histórias que guarda na mente, mas queria escrever sobre alguma coisa.

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