Feliz 2013 pra você

Horas deitado na cama, olhando pensativo para o barulhento ventilador de teto, as janelas e as cortinas abertas dando passagem para a luz de um belo luar iluminar o quarto e, quem sabe, os pensamentos. Tateia a cabeceira de cama e encontra o celular. Onze e vinte. Disca para a última ligação perdida, tantas vezes por querer, um famoso, para ele, número residencial. No segundo toque ela atende, o aparelho ficava em seu quarto:

– Alô. – ela diz do outro lado.
– Alô.
– Quem é?
– Sou eu.
– Ah… Eu te liguei umas horas atrás.
– Eu sei.
– E em tantas outras horas também. – brinca.
– Estou sabendo.
– E aí? Como você está?
– Deixa eu te perguntar uma coisa e me responda com sinceridade, pelo menos dessa vez.
– O quê?
– Você fez alguma macumba pra mim?

Ela ri. Não acredita no que acabou de ouvir.

– Qual é a graça?
– É sério mesmo isso?
– Ignoro suas ligações pra do nada, quase meia noite, resolver te ligar pra ficar de brincadeira?
– Nossa! É sério mesmo… – respira fundo. – Por que a pergunta?
– Não responde com pergunta.
– Só quero saber qual motivo tem pra essa acusação. Nada mais.
– Se é pra saber se está funcionando… Sim, está, e muito bem.
– Por quê?
– Desde aquele último dia que eu neguei sua volta, as coisas começaram a desandar e foram piorando.
– Então, antes estava dando tudo certo?
– …
– Estava?
– Até eu descobrir quem você realmente é, estava. Ou melhor… Até você resolver ir atrás daquela tal felicidade e depois voltar… Sim, estava.
– …
– Agora estou em uma maré de azar desgraçada!
– Às vezes seu talismã de azar é você mesmo.
– Você só pode estar de sacanagem.
– Pode ser… Mas agora, nesse exato momento, só tenho certeza de quatro coisas.
– O quê?
– Você precisa de mim… Você não me quer mais… Eu te quero mais que ontem… E não lhe fiz macumba alguma.
– …
– Parece que são suas certezas também.
– Não. Na verdade eu só tenho uma.
– Qual?
– Não te quero mais.
– Até quando?
– …
– Até quando?
– Até você amadurecer… Quem sabe?
– E como saberá que esse dia chegou?
– Quando minha maré de azar acabar, talvez.
– Entendi.
– Mesmo?
– Sim. Então, vendo por esse lado, também estou em uma maré de azar.
– E por quê?
– Vários motivos.
– Quais?
– Tudo que pensei que teria graça e cor na penúltima vez que parti, não teve… E isso me levou a essa última vez, mas foi você quem me mandou embora. E agora, não sabia que doeria tanto sentir que me quer de volta, mas a boca diz: Não.
– Pior seria se não quisesse de volta e a boca dissesse: Sim.
– Faz sentido. Mas dói.
– Imagina em mim depois de tudo que já nos aconteceu. Somos uma tragédia juntos. Melhor, você nos fez parecer uma tragédia juntos.
– Eu sei. Isso que é o pior de tudo. Mas a gente podia recomeçar, pelo menos pra ver se essa sua maré de azar vai embora… Não? Já pode ser um bom recomeço.
– Não será. Fato!
– Você não era tão frio assim.
– Tive uma boa professora. Devia estar orgulhosa de seu pupilo.
– Não fala assim.
– Agora sou eu que ando fodendo com tudo, mas no meu caso é sem querer. Você está certa quanto eu ser meu próprio talismã de azar… Então, até qualquer dia.
– Espera!
– O quê?
– Como assim, anda fodendo com tudo, sem querer?
– Você não entenderia e não quero te explicar. Até qualquer mês.
– Não! Espera!
– E feliz 2013 pra você. Que encontre aquela tal felicidade que tanto quis procurar.

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