Ventura: 11 – Coelhinhos (Parte 1)

Continuamos conversando sobre diversos assuntos e quando vimos, já eram quase seis horas da manhã e não bebíamos desde as quatro (quando a última cerveja secou). A lâmpada acesa não tinha forças para disputar com a luz do sol que se fazia presente iluminando a sala. Estávamos alegres e sem sono quando Patrícia anunciou sua retirada.

– Acho que chegou a minha hora.

– Por que não descansa antes de ir embora?

– Quer que eu fique? – disse depois de um tempo calada, me olhando.

– Só acho melhor do que ir embora cansada. Pode descansar lá no meu quarto, eu fico por aqui na sala mesmo… Não há problema algum.

– Quer que eu fique? – insistiu na pergunta.

Olhei-a. Senti algo diferente, uma atração sexual que ainda não tinha sentido, por ela. Uma vontade de possuí-la, testar seu sexo e seu gosto. Patrícia é linda e já me senti atraído várias vezes, mas até aquele momento, não tão intenso e repentino quanto àquela hora. Por mais que soubesse que mesmo que ela ficasse, poderia não rolar nada ou a vontade não ser recíproca, resolvi entrar no que me parecia um jogo.

– Quero!

Patrícia jogou a bolsa no outro sofá e lentamente sentou em meu colo, laçando meu pescoço com os braços, encostando a testa na minha. Lacei sua cintura enquanto nos encarávamos sem soltar um pio. E então… Entregamo-nos ao momento. Seu beijo era bom e bastante compatível com o tipo de beijo que gosto: bastante calor e desejo, dando mordidinhas e sugadas de leve, vez ou outra, no lábio inferior. Não era o tipo de beijo que só espera ser domado, mas que doma ao mesmo tempo em que se dá ao luxo de ser domado. Suas mãos foram deslizando pela minha nuca, enquanto as minhas deslizavam por aquele belo par de coxas malhados. Em um piscar de olhos já estávamos nus na cama. Ficava me imaginando como se estivesse com uma daquelas dançarinas que a Playboy é doida para que aceite posar nua ou aquelas atrizes de filme pornô, que quando adolescentes, nós homens assumimos ser fãs. Não vou mentir, Patrícia era um “sonho de consumo” para qualquer heterossexual, e melhor ainda… Profissional do sexo!

Acordamos às uma da tarde com meu celular berrando no chão. Era o Helder.

– Bom dia. – digo com a voz carregada de sono, me espreguiçando.

– Bom dia não, Harper, boa tarde.

Patrícia levanta da cama.

– Bom dia, Logan. – diz ao passar ao meu lado, indo à sala.

– Bom dia.

– Já disse que é boa tarde. – diz Helder no celular.

– Eu sei cara. – ri da pequena confusão na comunicação. – O que manda?

– Não tenho nada pra fazer até a noite… Está ocupado?

– Acabei de acordar.

– Vida boa, hein… Vamos fazer algo depois do almoço?

– O quê, por exemplo?

– Sei lá… Não tem nenhuma sugestão?

– Cara, eu acabei de acordar… Minto! Ainda nem acordei direito e já quer que eu pense? Meus neurônios ainda estão iniciando o Windows!

– Acorda logo e me liga depois que almoçar. Combinado?

– Combinado.

Assim que desliguei, Patrícia entrou no quarto, já arrumada.

– Já vai?

– Já passou da hora faz tempo. – diz aos risos.

– Vamos almoçar antes. – fui catando minhas roupas no chão.

– Não quero incomodar, Logan… E até o almoço ficar pronto… – abanou-se com as mãos.

– Acha mesmo que eu sei cozinhar? – até ri da ideia, enquanto vestia a cueca. – Vamos a uma pensão que tem não muito longe daqui. – enfiei a perna direita na calça. – E você não incomoda, para com esse charme. Faço questão que almoce antes de ir embora.

– Se insiste, eu fico pra almoçar.

– Vai gostar, a comida é bem gostosa.

Terminei de pôr a roupa, coloquei o celular no bolso e abri a janela do quarto.

– Vai fazer algo hoje? – pergunto antes de sairmos do quarto.

– Hoje tenho que malhar quatro horas, depois ir me arrumar pra trabalhar. Por quê?

– Helder me ligou chamando pra fazer algo depois do almoço. – caçava as chaves embaixo do edredom. – Queria aproveitar que está aqui e que vou encontra-lo… – achei. – Aí está você. – continuei: – De vocês se conhecerem e tal. Vai ser maneiro.

Acho que depois dessa, Patrícia começou a suspeitar que eu estivesse pensando que por conta daquela noite, estávamos juntos ou algo do tipo. Não sei. Entenda você, como quiser. Foi assim…

– Logan… A noite de ontem não mudou nada. – diz com semblante sério.

– Como assim?

– Estou com a sensação de que está achando que…

– Estamos juntos?

Silêncio.

– Não! Claro que não! Fica tranquila que não mudou nada e ainda somos amigos. Tem problema minha amiga almoçar comigo e conhecer meu melhor amigo? Mesmo se agora fomos ter uma amizade colorida?

– Menos mal. – suspira aliviada. – Eu estava começando a achar…

– Ah, relaxa. – abracei-a. – Ainda somos amigos e isso não vai mudar nada. – beijei-lhe a testa. – Mas vou confessar que a noite foi maravilhosa.

– Verdade. Coloridos então? – estendeu a mão.

– Com certeza! – selei o trato. – Sabe bem que amo outra e o meu sentimento por ela não vai mudar da noite pro dia.

– Que bom! É exatamente isso que eu espero e vou confessar que acordei com receio de que fosse achar que agora temos um caso ou algo do tipo… – mordeu o canto da boca. – Sei lá. Pode ser neura minha.

– Repito. Pode ficar tranquila. – fomos caminhando para sala.

– Apenas surgiu vontade e colocamos pra fora… – queria ter certeza. – Certo?

– Exatamente! – abri a porta. – E aí, vamos ou vai ficar nessa neura?

Depois do almoço liguei para o Helder e combinei naquele sujinho perto de casa, que bebemos no dia anterior. Uma hora depois ele chegou. Os apresentei e passamos boas horas conversando e bebendo. O dia estava lindo!

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