Leugim: 04 – Até tu, Brutus? (Parte 2)

– Não trabalha amanhã?

– Porra. O escritório é meu.

– E?

– Esqueceu a minha frase predileta que copiei do seu pai?

– Afinal de contas, quem manda naquela porra sou eu! – repete tentando imitar o tom de voz do pai.

– Exatamente!

– Beleza. Festinha na piscina? – ergueu o copo.

– Festinha na piscina! – brindou.

– Alguém em mente para chamarmos?

– Lembra da Duda?

– Aquela tua amiga lésbica que tem várias amigas?

– Exatamente! Então, ela voltou do Canadá e está com saudades do Tigrão dela. – diz aos risos.

– Tigrão dela é minha jeba.

– E alguém aqui disse que não era? – olhava ao redor fazendo cara engraçada.

– Tá! Então vai, liga pra ela e diga que se encarregará de levar a mulherada!

– Só tem um pequeno problema. – faz cara de desapontado, mas segurando o riso.

– Qual?

– Eu disse que você quem chamaria dessa vez. – encena expressão hilária de surpreso.

– Puta que pariu. Mas por que, você, animalzinho afeminado, de primeira categoria, faria isso?

– Por que, seu pansexual, ela disse que só iria se você chamasse.

– Agora sim. Entendi, comedor de vento sudoeste. – tirou o celular do bolso. – Sendo assim. – respira fundo. – Qual o número?

César passou-lhe o número e ele ligou.

– Alô. – diz Eduarda.

– Duda?

– Sim.

– Sou eu, Miguel.

– Miguel? Que Miguel?

Ele tira do ouvido e leva o celular na altura da cintura.

– Está fingindo que não se lembra da minha humilde pessoa. – sussurra para César. – Ouve e aprende com seu Mestre, pequeno gafanhoto. – coloca o celular no viva-voz e leva de volta a orelha. – Desculpe, é engano.

– Não! Espera, não desliga.

– O quê? Não consegui ouvir direito. – olha para César e pisca.

– Eu estou começando a lembra vagamente de um Miguel.

– Não deve ser eu.

– É você sim!

– A Duda que eu conheço é perdida de amores por mim.

– Quem disse isso?

– Se não é você, então não tem por que eu te contar essas coisas. Então… Se me dá licença, vou desligar pra ligar ao número certo, pois eu realmente queria muito falar com essa Duda que eu conheço.

– Queria é?

– Sim. É que fiquei sabendo que ela voltou do Canadá e que está com saudades da minha pessoa.

– Está é?

– Sabe como é, sou irresistível. Ah, não, espera… Você não sabe. A gente não se conhece. Foi mal aí.

– Miguel, para, já entendi. Quem te disse essa porra de que sou perdida de amores por você? Foi aquele filho da puta do César, não foi?

– Não, Duda. Você simplesmente acabou de se entregar sozinha. – diz César. – E obrigado pelo filho da puta. Eu sei que você me ama.

Silêncio.

– Porra. Por que você nunca me contou isso? – Miguel sussurra para César.

– Miguel… – diz Duda.

– Oi.

– É mentira, tá?

– Eu sei que é, relaxa.

– Não. Sério. É mentira.

– Tudo bem, Duda.

– Eu estava muito bêbada quando disse isso, foi da boca pra fora.

– Já entendi. Fica tranquila.

Silêncio.

– Bom… Eu vou desligar, depois a gente se fala.

– Tudo bem.

E desligou.

– Porra, César, assim fica difícil pra caralho. – guarda o celular.

– Por quê?

– Ela gosta de mim.

– E?

– Não vou ficar alimentando isso.

– Por quê? Ela é maneira pra cacete.

– Não interessa. Já passei da minha cota de mulheres apaixonadas por mim me perseguindo.

– Então prefere perder uma de nossas fontes de gostosas?

– E desde quando fará falta?

– Bom… Sabemos bem que, quanto mais, melhor, né?

Miguel respira fundo pensativo, finca os lábios. Estala os dedos. Passa as mãos no rosto. Não resisti. Pega o celular e liga novamente. No primeiro toque ela atende.

– Oi.

Baixa o celular na altura da cintura.

– Está vendo? Atendeu na primeira… Isso não é legal, cara.

– O quê?

– Porra, César. Você é burro pra caralho mesmo. – volta o celular ao ouvido.

– Miguel? – diz Eduarda.

– Ah, oi. Desculpa… Então… – coloca no viva-voz novamente. – É… A gente vai dar outra daquelas festinhas lá em casa. Não está a fim de aparecer?

– Lógico que sim. As festas na tua casa são imperdíveis. Não conheço ser humano algum no mundo que perderia isso.

– Te garanto que conheço no mínimo três, mas não vem ao caso. Vai aparecer?

– Agora é a hora que ela manda aquela: Posso levar algumas amigas? – César sussurra no ouvido de Miguel, que só assente com a cabeça sorrindo.

– Eu posso levar algumas amigas? – ela pergunta.

– Deve!

– Só por curiosidade, Duda, quantas amigas pretende chamar? – César se intromete.

– Ah, você ainda está aí, César? – parecia desapontada.

– Como assim: você ainda está aí, César? – intrigado.

– Nada. Se eu não puder chamar ninguém, não tem problema.

– Não. Relaxa, ele só quer saber pra gente ter ideia do quanto de bebidas iremos comprar. – Miguel improvisa.

– Isso! – César confirma automaticamente.

– Se for assim… Além da menina que estou ficando posso chamar mais… Três?

– Sem problemas. – diz Miguel apontando dois dedos pra si e em seguida um para César. – Pode chegar lá por volta das oito horas e está tranquilo. Combinado?

– Combinadíssimo!

Assim que desligam:

– Porra! Por que sempre que ela chama três, você fica com duas?

– Isso não é óbvio? – coloca o celular no balcão e acende cigarro.

– Lógico que não é óbvio… Nem lógico. Não faz sentido algum. – ficou inconformado.

– César, meu querido. – o vira de frente para o balcão. – Olha aquele espelho ali na parede. – aponta para o tal.

– O que tem o espelho?

– Está vendo aqueles dois caras ali?

– Sim. Somos nós, retardado.

– Então, garoto juvenil… – dá tapinhas de leve em seu ombro. – Se você fosse mulher, você daria pra qual dos dois?

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