Leugim: 05 – Satisfaction! (Parte 1)

Por volta das quatro e pouca, saíram do bar direto para o Supermercado mais próximo. Miguel em seu BMW Z4 vermelho e César em seu Nissan Versa verde. No local, compraram cento e cinco long necks de Antártica, dois Black Label, três garrafas de Absolut, dez litros de Red Bull, cinco quilos de picanha, de linguiça, três de coração, asa de galinha, dois sacos de carvão e pacote com dez maços de Marlboro vermelho.

Na casa, entupiu de cerveja a freezer que havia no minibar da piscina. César trocou o terno e a gravata por uma roupa mais a vontade, enquanto Miguel acendia a churrasqueira. Enquanto o carvão queimava, abriram um Black Label e começaram o “aquecimento”, com pedra de gelo de água de coco. Assim que escureceu, seu celular toca. Era Samantha. Atendeu direto no viva-voz para continuar com as mãos ocupadas na churrasqueira:

– Sam, sua linda!

– Oi, meu irmão lindo. Onde você está?

– Boa noite, Samantha. – diz César, que estava próximo.

– Estou em casa com o regador de bambu. – faz piada sobre o amigo.

– Boa noite, César. – diz aos risos. – O que vocês estão aprontando aí?

– Apenas colocando o assunto em dia e tomando umas. Nada de mais.

– Assunto em dia? Mas vocês se falam e se veem todo dia, que eu sei. – ri.

– Ele não vive sem mim. – César brinca.

– É o único que consegue acompanhar meu ritmo, Sam, se não fosse por isso…

– Vocês dois são muito bobos. – solta gargalhada gostosa. – Então, amado, eu liguei por que cheguei à faculdade agora e já fiquei sabendo que vou sair mais cedo. – pausa. – Estava pensando se não poderia passar aí pra te ver.

– Mas Samantha, eu já conversei com você sobre isso hoje. – seu tom fica sério, como pai falando com filho.

– Eu sei. Eu sei. Mas não vai ter como a mãe saber, ela sabe o horário que saio da facul. Juro que assim que bater o horário de saída, eu sumo da sua casa.

– Não, Samantha… Melhor não.

Silêncio.

– Você não quer me ver?

– Não é isso. Não faz charme emocional comigo. Entende o meu lado. Não quero mais motivo pra brigas com a velha.

– Eu sei, mas…

– Samantha!

Silêncio.

– Tudo bem, Miguel.

– Não fica chateada comigo… Só tenta entender um pouquinho.

– Tudo bem, Miguel.

– Eu te amo, tá?

– Eu também. Tchau. – e desligou.

Respirou fundo.

– Será que peguei pesado com ela? – pergunta a César, com os olhos presos ao celular.

– Acho que fez do jeito correto.

– É.

– Uma hora ou outra ela vai te entender.

– Não vejo a hora.

E então o celular tocou mais uma vez. Eduarda.

– Fala comigo, sua linda. – atende.

– Então, Miguel, estamos saindo daqui agora. São. – pausa. – Cinco e quarenta e sete. – outra pausa. – Tem problema se chegarmos antes das oito?

– Duda… Aqui em casa não tem problema, só solução.

– Ui. – gritou alguém ao fundo.

– Está no viva-voz aí?

– É que estou dirigindo, celular no bluetooth do carro.

– Beleza. Pisa nesse acelerador aí e chega logo, então. E só não dou boa noite pras meninas aí, pois só vai ficar boa mesmo quando chegarem. Então, cheguem logo!

– Ui. – em coro.

– Pode deixar. – diz Duda antes de desligar.

Encheram novamente os copos e foram no porão da casa buscar as caixas de som. Colocaram rodeando a piscina ao longe, mas viradas na direção da mesma. Conectaram-nas no notebook sobre a mesa e César preparou a playlist da noite, que era o de sempre: O melhor do Rock’N Roll dos anos cinquenta aos anos noventa. Colocou para tocar em modo aleatório, começando com Hound Dog interpretado por Elvis Presley, e começaram a dançar.

 

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