Leugim: 06 – Merdas “Happens”! (Parte 2)

Quando volta com as duas long necks, Eduarda se aproxima da beira. A entrega e ela cruza os braços sobre a borda, apoiando o corpo submerso. Miguel senta.

– Hoje fui a casa deles, pois meu pai queria conversar comigo. – rodeava a boca da garrafa com o indicador. – Como sempre, alguma reclamação que minha mãe queria fazer, mas o usa como intermediário da conversa, pois ela não sabe dialogar com as pessoas sem julgá-las ou tentar forçá-las a fazer sua vontade. Quando meu pai saiu, ela veio com esse papo que ficou pesando aqui. – apontou na direção da cabeça e parou de falar.

– Qual?

– Que sou mau exemplo pra minha irmã.

– Ah, Miguel, você não é bom exemplo pra ninguém. Fato! – tenta descontrair.

– Eu sei. – ri da própria desgraça. – Acha que não sei disso? Fora que nunca que eu iria querer levar minha irmã para o lado negro da força. Então, pra evitar brigas com a velha, eu prefiro não reaproximar a Samantha da minha vida… Ela não precisa… Ou não precisava, sei lá, saber que sou um tremendo filho da puta com as mulheres e as tantas merdas que faço.

– Isso é verdade. É um grande babaca mesmo, mas é o seu jeito.

– Pois é! Que bom que entende isso.

– Entendo, mas…

– Mas? – olhou-a desconfiado.

– Às vezes você tem umas atitudes que me dá nojo.

– Faz parte do charme.

E repentinamente Eduarda se exalta:

– Faz porra nenhuma, Miguel. Não sei o que você tem, que independente da merda que nos faça ou fale… Sempre consegue com que a gente volte abanando o rabo pra você quando liga.

Silêncio. E então ao mesmo tempo os dois olham na direção no notebook quando começa a tocar A Whiter Shade Of Pale da banda Procol Harum. Miguel sabia que não era um bom tema para a conversa que acabara de fugir de suas rédeas. Quando voltou os olhos para Eduarda, ela estava cabisbaixa, triste.

– Você gosta mesmo de mim, não é? – se não fosse pelo momento sensível que passava, jamais entraria naquele assunto.

– Lógico que não. – o encara com expressão de como se aquilo fosse absurdo.

– Ué. Do nada você vem com uns papos que me deram a impressão que se referia a você mesma, não no geral, na verdade.

– Não, Miguel. Estou muito feliz com a Ingrid. Acredite!

– Eu não disse que não está. – ergue as mãos no ar, como se a polícia houvesse anunciado: “Parado! Mãos na altura dos olhos!”. – Está vendo só?

Silêncio.

– Bom… Duda… Se você estiver gostando de mim, é uma pena.

– Por quê? – o olha com cara de cão arrependido.

– Não é nada saudável, lhe garanto. Eu não tenho coração nesse sentido. – sorri em nervosimo. – O meu serve apenas para manter meu sangue navegando pelo corpo, e. – pausa. – Pra te ser sincero, você é a primeira mulher, tirando a Sam, que chega perto de… Digamos que… – tentou encontrar palavras. – Uma relação de amizade. Sabe?

Apenas gemeu afirmando com a cabeça.

– Não me agrada nada a ideia de fazer amizade com mulheres.

– E por qual motivo?

– Que diabos de assuntos eu vou ter com elas que eu não possa tratar com um amigo? Com o César, no caso.

– De fato faz sentido, mas… Às vezes… Deixa.

– Fala.

– Não! Deixa pra lá. Não é importante. – vira o rosto para o lado. – E se eu disser que estou mesmo apaixonada por você e com saudades daquela última noite que tivemos? Estragaria essa relação perto de uma relação de amizade? – sorriso frouxo.

Miguel coça a cabeça, pensa duas vezes antes de responder:

– Obviamente… Creio que sim, pois não quero lhe dar falsas esperanças e…

– Entendi. – o interrompe. – E se eu disser que menti essa história para o César só para saber qual seria sua reação e que realmente estou com saudades daquela última noite que tivemos? Estragaria essa relação perto de uma relação perto de uma relação de amizade? – solta gargalhada da própria graça.

Miguel meneia a cabeça fazendo careta, entrando na brincadeira:

– Bom… Nesse caso… – ergue e baixa os ombros. – Acho que não, até por que, aquela noite realmente foi ótima. – olhou para trás, na direção da casa. – Mas e a Ingrid?

Eduarda sai da piscina e pega a toalha na cadeira atrás de Miguel.

– Não sei como dizer a ela, mas não estou mais conseguindo curtir mulher. Perdeu a graça.

– Pra mim continua perfeito como sempre foi e será. – brinca.

– Lógico. Vocês homens e a tara de pegar duas mulheres que se pegam… Como conseguiu hoje.

Sorri orgulhoso.

– Eu te vi as olhando cheia de inveja. – cutuca.

– Inveja? Eu? Inveja de beijar mulher enquanto eu beijava a Ingrid?

– Não. Inveja de querer estar no lugar de uma delas comigo.

– Ah, vai pescar, Miguel. – e o empurra na piscina.

Assim que ele emerge, dá de cara com uma Eduarda nua o olhando com cara extremamente sensual de pé na borda.

– Sou apaixonado por essa tua tatuagem. – diz olhando o lagarto multicolor que ela tinha desenhado na coxa direita.

Ignorando seu comentário, Eduarda mergulha e emerge a sua frente. Laça seu pescoço com os braços.

– Me dá um Good Times daquela noite aqui na piscina. – e o beija.

De repente no meio do bem bom, quando os dois estavam prestes a gozar juntos. Ingrid surge como balde de água fria.

– Que porra é essa Eduarda? – grita enraivecida.

Armou tremendo furdunço e quase pulou no pescoço dela, principalmente quando escolheu o momento nada propício para assumir que não estava mais interessada. E a confusão toda sobrou para César, que foi acordado por Eduarda, pedindo para que levasse Ingrid embora. Luma, que acordou por tabela, aproveitou para ir junto. Assim que saíram e a poeira baixou, Miguel e Eduarda pegaram mais cervejas e voltaram para a borda da piscina. Sentaram.

– Desculpa pelo barraco.

– Que nada… Relaxa, my dear. Merdas “happens”.

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