Leugim: 08 – Jesus carente (Parte 1)

Continuaram bebendo, curtindo a piscina e colocando o assunto em dia. Miguel esqueceu completamente que receberia visita, e eis que Jully chega. Irina a recebe na porta, ela se apresenta e entra. Como já estava acostumada a sempre ver surgindo novos rostos femininos naquela porta, Irina nunca recorria a Miguel para saber se podia ou não entrar, se iria ou não recebê-las. Quando era homem, sim, o assunto era diferente, principalmente depois de um marido furioso ter aparecido com a polícia para buscar a esposa, sem aliança. A acompanhou até a porta dos fundos, que dava na piscina e apontou para os dois boêmios.

– Não sabia que ele estaria com outra visita. – comenta Jully. – Melhor eu…

– É o pai dele. – diz Irina.

– Ficar. – sorri.

Miguel estava de frente para a porta dos fundos quando avistou Jully se aproximando.

– Puta que pariu, esqueci que ela ia passar aqui.

Jesus, que estava de costas para a direção que ele olhava, virou-se.

– Ela é bem bonita. – comenta.

– Oi Miguel. – toda simpática. – Oi pai do Miguel.

– Boa tarde, mocinha. – Jesus retribuindo a simpatia.

– Pai, essa é a Jully… Jully, esse é o Jesus, meu pai. Eu não sabia que ele iria passar aqui hoje, então…

– Não tem problema ela ficar. – diz Jesus, sempre bom anfitrião.

– Não? – pergunta sem entender o motivo de seu pai ter lhe cortado a “deixa”.

– Você combinou com ela antes de combinar comigo, certo?

Miguel coçou a barba cerrada, na região do queixo, consentindo com a cabeça.

– Fora que é bom ter um ar feminino por perto, você enche a Irina de tarefa e ela sempre fica longe. – sai da piscina. – Você bebe, menina?

– Bebo, mas só quente.

E Miguel apenas assiste calado, com cara de: “Puta que pariu! Mas o que ele está fazendo?”.

– Por quê? – Jesus curioso.

– Não engorda. – ri.

– Interessante. O que prefere: uísque ou vodca? – vai caminhando até o minibar.

– Tem caipirinha?

– Não. Mas se misturar vodca com limão e açúcar, fica tão bom quanto.

– Pode ser.

Miguel sai da piscina e vai até a mesa onde estava seu maço de cigarros. Incrédulo não por estar sobrando na conversa, mas por aquilo estar realmente acontecendo. Senta em uma das cadeiras.

– Tudo bem. Sem problemas. – fala para si mesmo baixo. – Pai, aproveita e traz mais uma long neck pra mim. – diz já em voz alta.

Jesus termina de preparar o drinque de Jully, a entrega e pega duas cervejas na freezer. Os dois voltam na direção de Miguel.

– Então, menina, me desculpe perguntar assim, mas já perguntando… – sorri amistoso. – O que você faz da vida?

– Sou modelo em uma agência aqui na Barra.

– Interessante. – entrega a cerveja de Miguel. – E como vocês dois se conheceram?

– Pai! Ela…

– Xiu. – diz Jesus levantando o dedo. – Deixe-me conhecê-la.

Jesus e Jully sentam em outra mesa. Miguel fica estático sem entender nada, com cara de babaca.

– Ele é amigo de uma amiga minha. – diz Jully adorando a situação.

– Colega! Duda é minha colega! – Miguel ressalta.

– Independente de colega ou não, então foi essa Duda que os apresentaram?

– Na verdade não. Ela fala muito sobre ele e eu fiquei curiosa em saber se era aquilo tudo mesmo que dizia.

– Quanto a quê?

– A… – pensativa. – Ser engraçado, legal, bonito… – pousa a mão na coxa direita de Jesus. – Essas coisas que o senhor já deve saber que o seu filho é.

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