Leugim: 08 – Jesus carente (Parte 2)

Jesus segurado o riso gira o tronco, olhando para Miguel, que estava na mesa às suas costas com cara de quem não estava curtindo nem um pouco aquela situação. Agora, mais ainda, ele não entendia nada quanto às atitudes do pai. Jesus volta sua atenção a Jully novamente e começa a fazer perguntas sobre o que ela gostava de fazer, os lugares que frequentava e etc. Enquanto Miguel puto da vida apenas bebia, fumava em tragadas carregadas e assistia de camarote. Aquilo não podia estar acontecendo, devia estar sonhando. Melhor, pesadelo! Nunca apresentou mulher ao pai. Odiava a ideia de aquilo estar acontecendo. Pelo visto, Jesus estava cheio de esperanças de que Jully pudesse ser a tal mulher que mudaria completamente a sua vida. Levantou e foi na direção dos dois. Pousou a mão esquerda no ombro do pai.

– Posso ter uma palavrinha em particular contigo, meu senhor?

– Lógico. Mas o que houve? – preocupado.

– Apenas venha ao meu escritório, é coisa rápida. Pá! Pum! – sorria tentando disfarçar sua insatisfação.

– Tudo bem. – Jesus levanta. – Jully, não saia daqui, eu já volto. Temos muito o que conversar ainda.

– Pode ter certeza que não sairei. – sorriso de orelha a orelha.

Caminhou até um ponto em que tinha certeza que ela não ouviria.

– Pai… – pousa as mãos na cintura, o pé direito começa a tremer de nervosismo. – Porra, como te passo essa informação agora? – bufa. Cruza os braços pensativo. – Nunca esperei que isso fosse acontecer.

Jesus pousa as mãos em seus ombros e abre um sorri extasiado:

– Eu sei filho. Sei exatamente como você se sente. Era isso que estava pra me contar? Se for, pode ficar tranquilo… Ela é linda e parece ser boa moça. Tem minha aprovação.

– Não! – Miguel grita se afastando e balançando as mãos em negação freneticamente. – Não, porra! Absolutamente não! Calma! – baixa a voz após pigarrear. – É exatamente o contrário. Hoje é a primeira vez que eu e ela estamos nos vendo pessoalmente. Por isso eu ia dizer pra ela ir embora… Mas você insistiu que ficasse. Não é o que está pensando. Não é minha namorada, nem amiga, nem colega. E outra, eu nem amiga tenho.

Jesus cruza os braços. O encara com os olhos semifechados, desconfiado.

– Eu não queria que você pensasse isso. Desculpa, vai. Sei que o teu maior desejo é que eu amarre meu burro, mas… Infelizmente, isso nunca vai acontecer.

– Nunca diga nunca, Miguel.

– Tá! Não vai acontecer tão cedo. Tudo bem?

– Poxa. – respira fundo desapontado. – Ela parece ser tão legal. – ar de decepção.

– Sinto muito, pai, mas não é ela. Pode ter certeza que se esse dia chegar… Minto… Quando esse dia chegar, você será o primeiro a saber.

– Tudo bem.

Miguel abraça o pai e voltam junto ao encontro de Jully.

– Jully, eu sinto muito, mas você terá que partir agora. – anuncia Miguel.

– Por quê? – como se já não tivesse percebido que sua presença junto a do pai o estava incomodando.

– Não é por nada, mas… – tenta encontrar o que dizer, sem sucesso: – É que eu tenho certos longos assuntos particulares com meu pai e você vai acabar sobrando aqui.

– Ah, eu não me importo. – sorri. – Seu pai é um fofo.

– O problema é que… Tipo… – esfrega a testa com a ponta dos dedos, não queria ser tão frio. – Eu me importo.

– Entendi. Então a Jullyzinha realmente está sobrando.

– Não fica chateada comigo, a gente marca outro dia. Tudo bem?

– Sem problemas, Miguel. – se aproxima dele. – Só não demore a marcar. – pisca e dá-lhe um selinho no canto da boca.

– Pode deixar que na primeira brecha, eu te ligo.

Jully despediu-se de Jesus e foi embora. Assim que ela sumiu da vista, Jesus voltava com duas cervejas na mão. Entregou a Miguel e abriu a outra para si.

– Vou sentir saudades dela. – assume.

Miguel o olha:

– Isso é sério mesmo? Melhor você maneirar nessa cerveja por que está começando a ficar carente pra caralho!

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