Leugim: 09 – Jovem demais para entender (Parte 1)

Assim, passaram uma boa tarde, do jeito que já não passavam há anos. A última vez que conseguiram ter o dia juntos foi há cinco anos quando Fabiola, Gabriel e Samantha foram visitar parentes de Fabiola no Paraná e Jesus alegou que não poderia ir por conta de um reunião importante para a empresa. E um dia como aquele sempre fazia enorme bem para ambos. Estava tudo ótimo até que logo que escureceu, Miguel recebe uma notícia desagradável. Seu irmão iria casar e não o convidou.

– Esperava que ao menos tivesse a decência de me convidar. – indignado.

– Como, Miguel, se ele sabe que você não vai?

– Sabe que eu não vou ou não faz a mínima questão que eu vá? É diferente.

– Bom, eu fiquei sabendo disso ontem à noite quando chegamos da empresa. Ele nos reuniu na sala de jantar e deu a notícia. Quando ele nos entregou os convites, a Samantha perguntou por que estava faltando o seu…

– E o que ele disse?

– Não gastaria tinta e papel convidando o irmão rebelde que ele sabia que não iria.

Silêncio.

– Tem certeza que foi só isso?

– Foi. – Jesus desvia o olhar.

– Pai… Você já não sabe mentir pra mim… Quando bebe então, tiro qualquer verdade do senhor.

Jesus respira fundo.

– Fora que sabe que se não me contar, eu consigo tirar a verdade da Sam também.

Jesus esfrega a nuca com a mão esquerda, desconcertado.

– Anda, desembucha toda a verdade.

– Você é foda mesmo.

– Sofro de “curiosofobia”.

– Curio-o-quê? – não se aguenta e cai em gargalhada.

– Desembucha!

Jesus se recompõe.

– É… Quando a Samantha disse que era injusto você não ser convidado… Sua mãe disse que injusto seria ele correr o risco de lhe chamar, você ir bêbado e estragar a festa.

– Essa é a Fabíola que conheço. – diz Miguel tentando manter-se firme e esconder sua decepção, batendo palmas mudas.

– Mas eu vou fazê-lo mudar de ideia, ele irá convidá-lo.

– Não precisa. Eu não quero. Ele está certo… Eu não iria nessa porra de forma alguma.

– Tem certeza?

– Não. Mas… Sei lá, pai.

– Por que você não prova pra eles e faz o oposto do que pensam?

– Como assim?

– Seu irmão acha que não irá? Então vá. Sua mãe acha que vai chegar bêbado e estragar a festa? Vá sóbrio e se comporte.

– Parece uma missão impossível. – brinca.

– Estou falando sério.

– Sinceramente… Não sei se vale a pena.

– Então faz por mim e pela sua irmã. Resolvido!

Silêncio.

– Continua impossível?

– Lógico que não. Difícil. Mas, AFIRMO, vai ser uma luta se manter sóbrio naquela porra, que já sei que será chato pra caralho.

– Eu não disse que teria que se manter sóbrio… Mas sim pra chegar sóbrio.

– Agora, de tarefa difícil, você está tornando em uma tarefa bem interessante.

– No aniversário de sua irmã ninguém percebeu que tínhamos bebido. Podemos fazer do mesmo jeito.

– Bom… Se você diz… E pra quando está marcado esse casamento?

– Primeira semana de Abril. – Jesus olha para o relógio. Sete e vinte e três. – Vou tirar um cochilo, me acorda às nove.

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