Leugim: 11 – Lovers Club All Night (Parte 3)

Seu celular toca. Levanta e tenta localizá-lo pelo som. Não lembrava para onde sua calça havia aterrissado pós voo. A encontra pendurada na grade da janela. Por pouco não caiu. Pega e tira o celular. Era seu pai. Estava mais calmo, mesmo assim respirou fundo antes de atender.

– Miguel, por que não me atendeu antes?

– Estava ocupado.

– E por que não me retornou?

– Você ligou agora justamente na hora em que fiquei desocupado. Já ia retornar.

Jesus fica em silêncio, sabia que era enrolação.

– Mas diz aí, o que houve? – Miguel pergunta.

– Como foi com Gabriel?

– Pensei que ele já tivesse contado.

– Ele só me disse que lhe mandaria o convite, mas que estava ocupado pra dizer como foi o encontro de vocês.

– Mesma merda de sempre, pai. Não esquenta a cabeça com isso.

– Como assim: mesma merda de sempre?

– Ele me chamando de alcóolatra e entre outras coisas.

Jesus fica em silêncio novamente.

– Pelo menos foi bom pra gente ter certeza que eu e ele, pai… Água e óleo… Não podemos mais nos esquecer disso. Minto. Não esqueça disso, nunca mais, pois eu sempre lembro.

– É uma pena. – diz Jesus após bufar decepcionado.

– Não acho… Mas, tudo bem.

– Ok. Já são grandinhos… Vocês que sabem. Eu não me meto mais.

– Não fica chateado.

– Não fico mais chateado com vocês. Uma hora a gente cansa de certas coisas, Miguel.

– Eu sei pai. Sei bem.

– O Danilo vai ao jogo com o César e nos chamou pra ficar no camarote deles.

– Virou tricolor?

– Não. Mas é futebol.

– Hoje não vai dar, tenho compromisso às dez.

– Compromisso?

– Sim.

– Entendi. Então vamos Domingo ao jogo do Vasco?

– Com certeza!

Assim que desligam, liga para César.

– Arrombado, meu pai vai ao jogo com vocês… Vê se não fala nada, hein.

– Lógico que não falarei. Você já me disse umas trinta vezes que prefere que só eu saiba por enquanto. – ri. – Já ficou bem claro.

– Beleza!

– E não vou mais, quero chegar junto contigo lá pra evitar qualquer tipo de engano. Até tinha pensado em não ir antes, mas aí o velho iria sozinho e seria sacanagem. Teu pai me salvou.

– Mas eu vou pôr seu nome na lista, não tem problema algum.

– Prefiro entrar contigo.

– Você quem sabe. Devo chegar lá umas dez e pouca.

            – Combinado!

Devolveu o celular ao bolso da calça, tirou o maço de cigarros e acendeu um. Ficou na janela fumando e pensando na vida. Minutos depois Rayanne sai do banheiro, nua, só com uma toalha rosa enrolando os cabelos.

– Meu anjo, vai tomar banho?

– Sim.

– Vai lá, então, já te levo uma toalha. – e entrou em seu quarto.

Nove horas. Miguel já estava arrumado desde as oito, só aguardando Rayanne terminar de se aprontar. Estava inquieto, pois tinha esquecido o quanto as mulheres demoram para se preparem. De minuto em minuto olhava para o relógio. Nove e vinte e sete, ela saiu do quarto. Parou no portal, pousou as mãos na cintura:

– Como estou? – perguntou sorrindo.

Miguel a olha lentamente dos pés a cabeça: salto alto preto, vestido preto curto decotado, bolsa tiracolo dourada, maquiagem azul escuro e roxa, e batom rubro. Estava linda. De dar água na boca.

– Maravilhosa!

Chegando ao Lovers Club All Night, foi direto ao estacionamento. Guardou os capacetes, travou a moto e acionou o alarme. César e Eduarda já o aguardavam não muito longe da entrada. Percebeu a cara de inveja que Eduarda fez ao ver Rayanne. Também estava linda, mas não tão produzida quanto. A apresentou aos dois e vice-versa.

– E aí, vamos entrar ou vamos ficar aqui fora batendo papo? – pergunta Miguel segurando a mão de Rayanne. Caminha em direção à entrada.

– Mesmo estando em casal, essa casa parece ser bem cara. – Eduarda comenta.

– Você só pode estar de sacanagem, né? – pergunta aos risos.

Eduarda sem entender olha para César, que apenas sorri. Assim que chegam a portaria. Havia dois seguranças enormes.

– Boa noite, senhor Miguel. – diz um deles, simpático, abrindo a porta.

– A casa hoje está cheia. – comenta o outro. – O senhor vai curtir.

– Boa noite, Juan. Boa noite, Saulo. – diz Miguel cumprimentando-os. – Esse casal aqui está comigo, são os que mandei pôr na lista. – aponta para César e Eduarda. – Pode tirar lá.

Assim que entram:

– Ele é o dono. – César cochicha no ouvido dela.

– Ah, tá de sacanagem, Miguel?! – diz Eduarda perplexa.

– O quê? – Miguel pergunta sem entender.

– Você é dono de uma casa de swing?!

– Uma das mais famosas do Rio! – César completa.

Miguel apenas sorri achando graça em sua surpresa

Anúncios