Leugim: 12 – Vírus Zumbi (Parte 2)

Seis horas Miguel acorda com o despertador do celular berrando. Era hora de partir. Olha para o lado. Eduarda dormindo igual criança. Levanta. Vai ao banheiro. Durante o banho pensa em todo o ocorrido depois que os dois entraram naquele quarto. Primeira vez que entra em um quarto de Motel pra se estressar e dormir, sem sexo. Por mais que tivesse prometido não afastá-la da sua vida, era o que faria sem que ela percebesse. Já tinha ultrapassado dos limites, dele. Saiu do banho. Colocou a calça e a acordou. Enquanto terminava de se aprontar, ela foi ao banheiro. Mandou mensagem para César, perguntando se estavam acordados. Em menos de um minuto ele respondeu dizendo que estava só esperando Rayanne terminar de se vestir e já estariam saindo. Miguel foi até a porta do banheiro e pediu que Eduarda se apressasse. Quando se encontraram na saída, César percebeu que pairava clima estranho entre os dois, mas preferiu não perguntar nem comentar nada. Ainda sonolentos, despediram-se. Eduarda entrou em seu carro e Rayanne montou na garupa de Miguel. Pegaram lados opostos na rua e seguiram seus rumos. César sentido à Niterói levar Eduarda e Miguel à Copacabana, ao apartamento de Rayanne.

Chegou a sua casa quase às oito horas. Irina já estava acordada arrumando a casa. Jogou a chave da moto na caixa onde guardava as chaves de seus outros veículos, cumprimentou-a no corredor e foi ao quarto. Guardou os capacetes no armário e se jogou na cama. Deitado, olhando para o teto, pensativo. Não queria ter passado por aquela experiência com Eduarda. Será que era tão difícil assim existir alguém que não se apaixona? Para mim parece tão fácil, simples e normal. Os outros que são anormais. Pensava. Inevitavelmente sua mente viajou no tempo. A primeira garota a se apaixonar por ele, época de escola. Estava na oitava série e ela na sexta. Ainda lembrava o seu nome. Sandra. Trocaram beijos pela primeira vez em uma das excursões da escola. Na época, Miguel ainda não via problema em repetir a dose e já tinha perdido sua virgindade no ano anterior àquele, com uma garota do terceiro ano em uma festa que aquela turma deu. Por mais que não soubesse, aqueles três meses que passou trocando beijos com Sandra, parecia sim namoro ao em vez de amizade colorida, como só ele achava. Até que certa noite, quando ela pensou ser o amor de sua vida, decide dar-lhe a honra de findar com sua pureza mais linda: virgindade. Por mais que tivesse mordido a maçã há pouco tempo, Sandra não seria a primeira a deixar-lhe mostrar o fruto proibido.

– Não é que sexo realmente é muito bom?! – Sandra assume ao fim do ato, depois de recuperar o fôlego.

– Eu te disse. – orgulhoso.

– E se eu ficar viciada? – brinca.

– A gente dá um jeito. – pisca. – Dessa droga eu sou uma fábrica!

Sandra fecha os olhos, acaricia o rosto no peito de Miguel e solta:

– Mi, eu te amo.

Não disse nada.

Nessa época ainda não se importava em ouvir aquilo. E Sandra, quando dizia, não esperava ouvir de volta. O problema todo surgiu, pois, depois desse dia, ela começou a espalhar pela escola, que estavam namorando. Quando Miguel soube daquilo, pirou e foi tirar “satisfação” no intervalo (ou recreio). Desce as escadas correndo rumo ao pátio e como caçador em temporada de caça, procura o alvo. Encontra Sandra rodeada de amigas perto da quadra. Aproxima-se e a leva ao canto onde não havia ninguém. Com as costas contra a parede e o olhando assustada por sua expressão furiosa.

– Sandra, que porra é essa que a gente está namorando?

Suas sobrancelhas arcam, ela digere a informação e:

– E por um acaso não estamos? – cruza os braços em postura de afronta, pois para ela era óbvio que sim.

– Lógico que não.

– Como não Miguel? Nós vamos fazer quatro meses juntos!

– Mas não somos namorados, porra. E não estamos juntos. Eu disse uma vez que era pra ficar com quem você bem quisesse e eu faria o mesmo.

– Você ficou com outra pessoa?

– Não. Mas…

– Então pronto! Nem eu!

– Mas não somos namorados, porra. Eu pensei que estávamos de acordo que era amizade colorida.

– Amizade coloria? Você só pode estar de sacanagem com a minha cara, Miguel! – se altera.

– Você que está de sacanagem com a porra da minha cara! Mas que ideia maluca. Quer queimar a porra do meu filme?

Sandra fechou os olhos. Respirou fundo. Agarrou os cabelos com as mãos e grunhiu de raiva. Soltou os cabelos e cheia de ódio encarou Miguel:

– Eu perdi minha virgindade contigo, seu filho da puta! – grita.

Parecia que tinha ecoado por toda a quadra. Miguel assustado olhou ao redor e o que temia, ocorreu: inúmeras pessoas olhando para os dois. Voltou-se a Sandra. Estalou o pescoço lentamente e friamente:

– Tudo bem… Se nós estamos namorando, estou terminando com você aqui e AGORA!

Assim que ele lhe deu as costas ela o agarrou forte pelo braço.

– Miguel, você não pode fazer isso comigo. Eu te amo.

– Tudo bem. Muito obrigado.

Antes que lhe desse as costas, Sandra o puxa pelo braço novamente.

– Tudo bem? Muito obrigado? – pausa. – É sério isso? – incrédula com os olhos arregalados, coração disparado com tamanha frieza. Desconhecia aquele monstro.

– O que quer que eu diga? – a encara deixando extremamente claro o quanto já estava enojado daquele assunto.

– Então agora que conseguiu o que queria, simplesmente vai terminar comigo?

– Puta que pariu, Sandra! – urra. – Entende uma coisa, caralho: nós não tínhamos nada sério… E se tínhamos, acabamos essa merda por aqui! Porra!

Dessa vez conseguiu dar-lhe as costas e sair, pois Sandra ficou paralisada escorrendo as costas pela parede até chegar ao chão e as lágrimas transformaram o rosto em cachoeira.

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