Leugim: 12 – Vírus Zumbi (Parte 3)

Depois desse dia Sandra não apareceu mais na escola. Na semana seguinte, ao tomar bela bronca de seus pais, descobriu que ela tentou suicídio. Aquela notícia lhe foi traumatizante, não fazia ideia que o ocorrido poderia causar toda aquela novela e turbilhão. Desde esse dia prometeu a si mesmo não mais envolver-se diversas vezes com a mesma pessoa, para evitar que se apaixonassem por ele e a deixar bem claro o quanto repudiava até mesmo a ideia sobre relacionamento sério. Jamais queria causar em outra pessoa o que aconteceu a Sandra. E só voltou atrás no terceiro período da segunda vez que cursou faculdade. Tainá tinha três anos a menos que ele e da mesma turma em algumas matérias. Envolveram-se pela primeira vez em uma das festas da faculdade e de acordo com a longa conversa que tiveram antes das línguas dançarem juntas, ela pensava como ele. Nisso, quando apareceu a segunda oportunidade, Miguel pensou: “Por que não?”. Brincava até dizendo que ela era a versão feminina dele.

Ela realmente pensava igual. Construíram amizade colorida onde ambos se envolviam com quem quisessem mesmo o outro estando no mesmo lugar. Miguel ficava até feliz quando a via aos beijos e amasso com outro rapaz. O problema foi dois meses depois, quando notou que Tainá estava começando a tomar atitudes cada vez mais estranhas. Pensava ser TPM ou que estivesse passando por alguma fase complicada. Até que certo dia quando estavam juntos nessa mesma cama que ele estava agora, as coisas complicaram. Ali, agora, mergulhado nos pensamentos olhou para o lado e conseguiu vê-la.

– Miguel… – diz Tainá deitada em seu peito, olhando na direção dos próprios pés.

– Diz. – afagava seus cabelos.

– Está começando a ficar estranho.

– O quê?

– Sei lá… Não sinto mais o mesmo que sentia antes quando estava a sós contigo.

– Como assim?

– Não sei explicar direito.

– Não está mais curtindo nosso arco-íris? – brincou aos risos.

Tainá manteve-se em silêncio. Miguel com cuidado levanta sua cabeça, se ajeita na cama, ficando sentado e pousa a cabeça dela em suas pernas. Olho no olho.

– Se foi isso, não tem problema. Sabe que eu não sou apaixonado por você, então vai ser como se nada tivesse acontecido. De verdade. – sorri. – Fora que é bem difícil de acreditar que possa ter perdido o tesão depois do orgasmo múltiplo que teve agora a pouco. – faz graça.

– Aí está outro problema. – desapontada.

– Qual?

– Não sabia que ouvir isso doeria.

Miguel fica em silêncio tentando descobrir o tal problema entre o que falou e entender as coisas sem nexo, para ele, que ela estava tentando dizer.

– É melhor findarmos mesmo essa amizade colorida, pois… – diz ao vê-lo pensativo. – Acho que estou apaixonada por você Miguel. Não cumpri a minha parte no trato.

Era a última coisa que esperava ouvir naquela noite. Na hora, lembrou-se do ocorrido com Sandra. E entrou em pânico. Saiu da cama às pressas, praticamente desesperado como se tivesse recebido a notícia de que o Mundo acabaria em algumas horas. O que em sua visão, não deixava de ser verdade.

– Não. Não. Não. – apertava os cabelos. – Isso não pode estar acontecendo de novo.

Tainá sabia da história, então não foi difícil identificar o motivo de sua estranha reação.

– Miguel, calma. – engatinha para fora da cama. – Eu não tentarei me suicidar. – foi ao seu encontro. – Relaxa. Sou madura o suficiente pra não cometer essa infantilidade. O combinado era nos envolvermos sem compromisso… E como eu já disse, fui quem não cumpriu com a parte. – o abraçou. – Então, prefiro terminar isso aqui e agora, do que acabar piorando as coisas. Não quero estar apaixonada, mas, infelizmente aconteceu. Fazer o quê, ué?

– Isso é um vírus! Caralho! – mesmo depois de todas aquelas palavras, ainda estava alucinado.

– Pode ser. Nunca senti isso e não vou negar que está doendo. Mas, se supera.

– Tem certeza? – parecia criança desacreditada no óbvio.

– Dizem que sim. – riu sem graça. – Vamos ver né.

– Caralho! Por que essas coisas acontecem comigo? – esfregava freneticamente as mãos no rosto como se o lavasse.

– Calma! Também não é pra tanto. Confia em mim.

– Eu confiei! E agora você pegou esse vírus zumbi maldito.

– Vírus zumbi? – em gargalhadas. – Miguel, sério, você tem cada uma que… Puta que pariu!

Então, entre mútuo acordo, tiveram a noite de despedida. O trato era não se falarem mais quando se esbarrassem na faculdade e fingir que nunca haviam se conhecido. O problema foi que conforme as semanas passavam, Miguel foi percebendo que na sala, vira-mexe pegava Tainá o secando com o mesmo olhar que Sandra o secava nos intervalos da escola. No dia seguinte foi na diretoria e mudou seu turno noturno para o matinal. Ao sentir sua falta, Tainá começou a ligar, mas ele não atendia, ao ponto de bloquear o número no celular. Evitava as festas do turno da noite, e, com isso, nunca mais viu Tainá.

Relembrando esses dois casos, chegou à conclusão de que não poderia mais ver ou falar com Eduarda. Pegou o celular, procurou na agenda e bloqueou seu número, colocando-a junto de outros nomes, na lista negra de seu aparelho. Nada de vírus zumbi pro meu lado! Pensou.

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