Leugim: 13 – Garotinhas Fáceis (Parte 1)

Assim que o almoço ficou pronto, Irina o acordou anunciando que seu prato já estava preparado na mesa da sala de jantar. Espreguiçou-se. Conferiu as horas. Uma e quinze. Sentou na beira da cama com as mãos pousadas nas coxas sustentando o peso do tronco arcado. Olhou para um lado e para o outro. Pegou o celular na cabeceira. Nenhuma ligação perdida. Girou lentamente o pescoço estalando-o e levantou. Tirou a camisa que trajava desde o dia anterior e jogou no cesto de roupas sujas que estava no canto do quarto, ao lado do armário. Alongou-se. Resolveu continuar com a calça de ontem e foi almoçar.

Depois de descansar da refeição, tomou banho, se arrumou apropriadamente, pegou seu capacete e foi à academia onde praticava MMA. Foi embora por volta das seis horas. Era sexta-feira, dia de noitada para os “baladeiros-normais”. Assim que terminou seu banho ligou para César.

– Pra onde iremos hoje?

– Estava pensando em irmos a uma boate em Niterói mesmo.

– Duda?

– Mais ou menos.

– Se for, não podemos ir.

– Por quê?

E contou toda a conversa que teve com ela naquele quarto de Motel.

– Por isso quando saímos vocês estavam estranhos. Explicado! Então eu não marco com ela, vamos apenas nós dois. Te busco aí de táxi às dez horas, pode ser?

– Pode to be, my friend!

– Joel!

No final de semana eles só saiam para beber de táxi. De segunda a sexta não se importavam, pois pensavam ser raro bater de frente com a patrulha da lei-seca. Atitude perigosa e ilegal, porém… Quem nunca pensou ou cometeu alguma, que atire o primeiro telhado. Isso mesmo, não está errado. Pense um pouco. Enfim… Vestiu um de seus melhores trajes para balada e foi ao minibar da casa. Pegou a garrafa de Jack Daniel’s que estava pela metade e começou o aquecimento enquanto aguardava.

Pontualmente César surgiu com o táxi. Despediu-se de Irina, que lhe desejou uma boa aventura noturna, e entrou no táxi. Durante o caminho, contou mais detalhadamente como foi o ocorrido com Eduarda e sua decisão de excluí-la de sua vida social. Por mais que não tenha assumido, aquele sorriso que César soltou, era por ter ouvido tudo que queria há dias, e não por que achou engraçado o ocorrido. Estava apaixonado por Eduarda, mas, ela estar apaixonada por Miguel era problema enorme. Gigante! Jamais daria motivos para aquele afastamento acontecer ou faria algo a seu favor contra seu melhor amigo. Então, aquilo acontecer sem que colocasse sua colher, era ótimo. Perfeito! O caminho estava aberto e iria correr atrás daquilo.

Chegando a frente da boate, a fila da bilheteria e da entrada estavam enorme. Enquanto Miguel entrou na fila, César foi ao vendedor ambulante comprar cerveja. Voltou com dois latões de Antártica e, por já conhecer bem o melhor amigo, percebeu que Miguel estava caçando, ao erguer o latão em sua direção e ele ignorá-lo completamente. Sempre achava graça quando o via naquele tipo de transe. Abraçou o latão com o braço para livrar a mão e abrir o outro. No estalo da lata, Miguel piscou forte saindo do transe. Seguindo o fluxo conforme a fila andava:

– O que encontrou? – pergunta César tirando o latão do braço e erguendo novamente em sua direção.

– Um alvo em potencial. – pegou o latão e o abriu, tratando logo de dar um gole e voltar os olhos à “presa”.

– Quantas amigas?

– Duas.

– Também com potencial?

– Não reparei… Juro.

– Localização, Capitão?

– Morena, cabelo liso preto até o meio das costas, fila de entrada, três horas, vestido curto azul e um corpo bem desenhado pelos pais.

– Encontrado. Repito: encontrado.

– O que achou?

– Agora entendo por que não conseguiu notar as outras.

– Então…?

– Mas no meu caso, tenho alternativa?

– Creio que não, meu caro Watson.

Riram.

– Acho que vou aproveitar e conversar logo agora. – diz após outra golada encorajadora.

Quando deu o segundo passo, César o puxou pelo braço.

– Espera!

Miguel o encarou sem entender patavinas da sua reação e aqueles olhos arregalados.

– A Vilma está com ela. – anuncia César.

– Porra! – volta os olhos rapidamente. – Aonde? E quem é Vilma, porra?

– A irmã da Adelaide!

– Ah! A asiática que toma Gadernal vencido. Qual das duas é a Vilma?

– A de tomara que caia preto e calça jeans branca.

!

– O quê?

– Eu só me envolvo com gostosa mesmo, hein. – sorri orgulhoso.

Silêncio.

– Sabe que suas chances agora diminuíram a quase nada, certo?

– Será mesmo? – se gaba aos risos. – Está se esquecendo dos meus poderes Jedi?

– Deu cagada em pegar as irmãs… Tudo bem que uma foi duas vezes, mas…

– Cagada? Enfim! Você pega a Vilma pra abrir espaço pra eu levar a de vestido azul pra conversar.

– Está maluco?

– Não!

– A Vilma sabe quem sou e quem é meu amigo babaca, babaca. – faz graça.

– Isso sim, fode legal os planos. Lá dentro eu dou um jeito. Sempre tem um jeito.

– Eu pago pra ver.

– Casa quanto? – puxa a carteira do bolso.

Cenzinho!

– Eu dobro!

– Duzentos?

– Dobro mais!

– Porra, Miguel.

– Não está certo que vai ganhar?

– É, mas não se esqueça que você tem o quádruplo de dinheiro do que eu tenho.

– Duzentos e cinquenta. Fechou?

– Beleza.

César tira o valor da carteira e entrega a Miguel, que junta com o dele e coloca no bolso de trás da calça:

– A noite é uma criança, corrimão de shopping. – sorri e dá dois tapas de leve em seu ombro.

Anúncios