Leugim: 13 – Garotinhas Fáceis (Parte 2)

Assim que compraram as entradas, as portas da boate se abriram e a outra fila começou a adentrar o local. Sem pressa alguma se deslocaram a ela, que sem sombra de dúvidas andava mais rápido que andou a da bilheteria. Vinte minutos depois, estavam dentro e nenhum sinal da dama de azul. Era uma casa de dois andares e no paredão ao fundo enorme palco, onde estava o DJ e de onde saíam todas as luzes coloridas que percorriam o local pouco iluminado. Som alto como é de costume e que sempre dificulta qualquer tipo de diálogo.

– Até que é bacana aqui. – César confessa.

– O quê? – grita.

– Até. Que é. Bacana. Aqui! – com a boca quase colada ao ouvido de Miguel.

– É. Mas. Nosso lugar. É lá em cima! – apontava para a área VIP no segundo andar.

Em cada lado do palco havia escada que dava acesso ao segundo andar, bloqueada por dois seguranças. Caminharam até a do lado direito e entregaram a segunda parte do ingresso para receber a fita de pulso que dava livre acesso. Havia dois tipos de ingresso: o divido em duas partes e o dividido em três. O de duas: uma das partes ficava na entrada e a outra com a pessoa, e dava acesso à boate. A de três: uma na entrada, outra para receber a fita de pulso e a terceira com a pessoa. Subiram as escadas. Na área VIP já ficava melhor a comunicação, pois as caixas eram todas direcionadas a pista, abafando o som para o segundo andar. Miguel foi logo se apossando da primeira mesa livre que viu pela frente e que dava boa vista tanto para a pista quanto para o palco, enquanto César foi ao bar, voltando com balde de alumínio com gelo, dez latões de Antártica, dois copos para uísque e na outra mão, uma garrafa de Red Label. Pousou-os na mesa e percebeu que Miguel tinha entrado em transe mais uma vez, seus olhos de alto calibre vasculhando lentamente a pista. Voltou a si mais uma vez quando César abriu um dos latões.

– Novos alvos?

– Apenas procurando a dama de azul. – sorriu, tirou um latão do balde.

– Não trouxe energético, pois não sabia se iria querer.

– Sei que não gosto de misturar, mas em balada é diferente. Deixa que eu vou buscar.

Assim que Miguel saiu, César avistou duas mulheres sozinhas em uma mesa não tão distante da que estavam.

Miguel chegou ao balcão, comprou um balde de Red Bull. Assim que o barman aprontou, pegou e voltou. Colocou sobre a mesa.

– Espera aqui. Já volto. – anuncia César sem tirar os olhos de cima das duas mulheres.

Miguel acompanhou seus olhos. Sorriu ao avistar os alvos.

– Vai lá, pequeno gafanhoto. Be happy!

            Ficou de longe assistindo César conversar com as duas. Um gole. Outro. Matou o latão. Abriu outro e nada de César retornar. Quando estava quase resolvendo deixar tudo na mesa para ajuda-lo e/ou resgatá-lo, as duas pegam o balde que estavam sobre a mesa e voltam com César e seu sorriso de orelha a orelha.

            – Miguel, essa é a Nádia… Nádia, esse é o Miguel. – diz César apresentando-os. – Miguel, essa é a Aretha… Aretha, esse é o Miguel.

            Cumprimentou as duas com dois beijos e um aperto de mão suave. Nádia tinha estatura mediana, pele morena cor de jambo, cabelos ondulados de cor castanha e com mexas loiras, cintura fina, corpo normal, maquiagem pesada, olhos cor de mel e trajava vestido curto amarelo, que se ela esquecesse de vez ou outra ajeitá-lo, subia o suficiente para deixar parte da bunda à mostra. Aretha era de mesma estatura que César, branca avermelhada, cabelos ruivo fogo, olhos de lente azul, marca do biquíni saindo do vestido curto roxo avermelhado, corpo robusto.

            – Estamos com um impasse aqui. – Miguel confere.

            – Qual? – pergunta Aretha.

            – Vocês estão bebendo Heineken e nós Antártica. Pensei que fossem nos ajudar a acabar com elas.

            – E a gente pensou que fossem nos ajudar a acabar com as Heinekens. – diz Nádia.

            – Eu não vejo problema algum, também prefiro importada. – diz César.

            – Verdade… Então bebe com elas e deixa esse balde aqui pra mim. – diz Miguel.

            – Sem problemas.

            – Por que não bebe Heineken? – pergunta Aretha, curiosa.

            – Não aprecio o sabor dela.

            – Não aprecia o sabor? – pergunta Nádia duvidosa, olhando para Aretha e voltando a olhá-lo.

            – Exatamente. Tem problema nisso? – pergunta aos risos.

            – Nenhum.

            E começaram a papear e beber. César mais empolgado com a conversa do que Miguel, que vira-mexe rondava tanto a pista quanto a área VIP a procura da dama de azul. Aquelas duas eram mais duas daquelas que já estava quase enjoando de ver, as fúteis e superficiais que qualquer sinal que envolva dinheiro, basta estalar os dedos e caem no colo, no cio. Diferente de César, sabia que se quisesse mesmo alguma das duas, não precisava de muita conversa. Fora que o jeito que Nádia lhe fez a pergunta, o incomodou. Então, repentinamente, resolveu entrar em cena e esquecer a dama de azul, quando o balde com as Heinekens acabaram. Quando César anunciou que iria comprar outro, Miguel o segurou e se prontificou a ir.

            – Mas você nem está bebendo dela. – disse César intrigado.

            – A primeira rodada junto com o uísque, não foi você quem trouxe?

            – Sim.

            – Deixa que eu trago agora e o próximo uísque, quando esse acabar… E espero que não demore, pois só eu estou bebendo. – nesse instante viu um certo brilho surgir nos olhos das duas, confirmando, em parte, a sua já tão comprovada tese.

            Saiu em direção ao bar. Querendo ousar um pouco mais, comprou dois baldes e voltou. Colocou-os sobre a mesa.

            – Dois baldes? – pergunta César, entendendo menos ainda as ações de Miguel.

            – Está lançado o desafio. Quero ver se vocês três bebem tudo isso antes de o gelo derreter e esquentar.

            – Não é tão difícil. – diz Aretha.

            – Deleitem-se, suas lindas. – pegou seu latão de Antártica, abriu. – Vou ao banheiro. – deu golada carregada e saiu, sem deixar de notar que o brilho nos olhos das duas se intensificou.

            Voltando do banheiro, para sua boa surpresa, César estava aos beijos com Aretha e Nádia dançava segurando a lata com a mão esquerda e o pequeno muro de proteção da área vip com a direita. Quando pousou o latão sobre a mesa, Nádia vira-se em sua direção:

            – Até que enfim você voltou! – toda alegre. – Não estava mais aguentando ficar sobrando aqui. – sorri maliciosa, se aproximando.

            Miguel a puxa ao seu encontro e a beija.

– Garotinhas fáceis! – pensa.

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