Pré-conceito

Se ela não estivesse com aquela camisa com um ‘The Strokes’ estampado no peito – igual aquela do guri do Transformers –, realmente não chamaria tanto a minha atenção. Sempre quis ter uma camisa daquela, mas a preguiça sempre me venceu na hora de procurar na internet. Eram quase cinco horas da manhã. Sentado na calçada esperando meu ônibus e olhando ela se aproximar do ponto com uma cara de quem não dormia há três dias, a camisa, uma calça jeans surrada, All Star Converse preto, maquiagem borrada e longos cabelos negros ao vento. Chegou ao poste não tão longe de onde eu esteva, virou-se de costas e recostou-se nele. “Se não pego a camisa, pego pelo menos quem a veste”. Pensei. Na falta do que fazer comecei a análise (vulgo: pré-conceito): “Ela não vestiria uma camisa dos Strokes se não gostasse de Strokes”, “Se gosta de Strokes, tem bom gosto musical”, “Se tem bom gosto musical, deve gostar de caras que tocam algum instrumento”, “Se gosta de caras que tocam algum instrumento, deve gostar de caras que sabem váááááárias dos Strokes”. E assim foi virando uma bela de uma cadeia alimentar até voltar para: “Se não pego a camisa, pego pelo menos quem a veste”.

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Mais do que imagino

Eu posso até dizer que você é um enigma que quanto mais eu conheço cada detalhe, mais desconheço uma boa parte. É intrigante às vezes, mas, enigmas são assim mesmo, não? Quando você me pede pra sair de casa, dar uma volta e pensar na vida, nem sempre quando volto as coisas ficam tão claras como quando você sai de casa, dá uma volta e pensa na vida. O que eu faço de diferente nessas voltas? Será que inicio a linha de raciocínio de forma errada? Na hora das pazes, sempre é você quem tem a razão do lado e eu com uma bolsa cheia de falta de argumentos. Até mesmo quando o erro não é meu, você inventa toda uma ‘cadeia alimentar’ pra explicar as coisas e eu cedo. “Tudo bem, meu erro”. Na maioria das vezes eu cedo, não por ter me convencido, mas pra te agradar mesmo e fingir que realmente, depois da explicação, tudo fez sentido. Suas mentiras brincam de pique-se-esconde, mas eu sei onde todas elas estão escondidas. Só não tenho feito questão de ir ‘procurá-las’.

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O maior jazigo na parte mais alta

Sua partida me tornou mais sábio, e é uma pena você não estar aqui pra conferir. Mesmo assim, eu nunca irei te magoar, muito menos te deixar partir… Pra sempre. Sempre existirá você em mim, como bem queria. Assim como irei continuar olhando para o meu lado e sorrindo. Não me importa o que os donos daqueles olhares curiosos pensam, eles não podem te ver e isso até que é bem divertido. Sorrio outra vez. Eles se entreolham, não sabem o por que. Fecho os olhos e sinto o sorriso inflar como um balão, de orelha a orelha. Abro os olhos. Eles desviam os olhares. Mato meu café e me retiro do local. Ao atravessar a rua eu digo entre gargalhadas: “- Você viu a cara deles?” e não preciso que você responda. A gente dobra a esquina e pula o muro do cemitério. Lembra como nos divertíamos bastante aqui? O coveiro nem esquenta mais, as vezes até vem oferecer água ou companhia. Ah é, ele também não consegue te ver. Eu sei que você não esquenta a cabeça com isso.

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Ervas daninhas

Passei um bom tempo afogando no álcool os problemas que foram surgindo. Nunca foi a primeira opção, garanto. Antes de mais nada, sempre que um problema surgia, a primeira opção era sempre de sentar e pensar sobre, pra poder tentar resolver da melhor maneira. Quando assim não se resolvia, partia para a segunda opção, tentar fingir que com o tempo tudo iria se encaixar. Quando não se encaixava… “- Professor, apita o início do jogo que eu já quero marcar meu primeiro gol”, e chegava a primeira loira gelada. No fim do jogo eu me sentia a versão masculina de Alice no País das Maravilhas, artilheiro nato do campeonato e uma pessoa feliz, sem problemas. Há quem diga que beber é uma arte pra poucos. Há quem diga que beber para afogar os problemas é para os fracos ou coisa de alcoólatra. Pra mim, beber é pra quem gosta e se é você quem paga, você pode fazer da maneira que bem quiser… Inclusive, afogar os problemas. Esse papo de alcoólatra, é quem deixa de comprar isso ou aquilo pra poder pagar uma garrafa de cerveja, quem não consegue ficar dois ou três dias sem beber e afins.

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Na falta de coragem…

Quem te encara no espelho? Com quem morre sua mentira? E sua verdade? De quem é a consciência que pode ficar leve ou pesada? Onde mora boa parte do seu medo? Onde você se esconde de você? Quando quer ficar longe de si mesma? E quando quer ser encontrada? Queria que você pudesse entrar na minha mente, mesmo quando eu estivesse dormindo, completamente inconsciente ou até mesmo… É… Tipo… O que diria de passar vinte e quatro horas dentro da minha cabeça? Não do jeito que já é… Bom, eu não sei explicar, mas tenho certeza que entendeu. Assim como tenho certeza que iria gostar de entrar quando eu me olhasse no espelho. Veria o quanto sinto medo quando aquele cara do outro lado me encara. Dá até calafrio só de lembrar a última vez.

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Hasta luego

Essa semana eu senti uma louca vontade de comprar um terno e uma passagem pro primeiro lugar que aquela voz sexy de um aeroporto mais próximo, anunciasse partida. Deixar tudo pra trás, me esperando, na incerteza se vou ou não voltar um dia. Principalmente você, que me ensinou ser completamente natural vez ou outra sentir uma vontade repentina de não ouvir a sua voz, não querer saber o que anda fazendo e às vezes até, não querer saber quem é você. Então, foi num momento desses que eu senti essa louca vontade de… Bem, eu já disse. A grande cidade que transformamos numa pequena cidade, descoloriu e perdeu o sentido. “Monocromatizou-se”. Tentei arquitetar um novo mundo na pequena cidade, transformá-la, talvez, num universo… Mas você estava certa, não dá! Pois sempre que eu atravessar uma esquina fingindo ter atravessado um Estado, você vai estar na próxima rua pra me dizer que eu não saí do mesmo lugar. Acho que você não teve infância e não sabe brincar… Ou eu não tive, sei lá. Pra você, só dá pra atravessar um Estado dentro de algo barulhento, que você quase não se movimenta e tem quatro rodas ou mais. Pois é, você tem medo de moto, e ônibus não é algo que pode ser adquirido, comprado.

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Ruptura

Quase não deu pra iniciar esse texto, pois as mãos não queriam descobrir a vergonha no rosto. Passei Janeiro inteiro menosprezando a internet e quando mais precisei dela, me deixou na mão. Eu não deixei o blog à deriva, até por que vou precisar muito dele nessa saga nova que iniciará em minha vida. Tudo bem que ando quase sem tempo algum, mas tenho alguns posts esperando a vez, que não levariam nem cinco minutos pra postar. Estava tendo problemas com a Velox desde o final do ano passado. Enquanto estivesse fazendo calor, a Velox não funcionava. Aí você põe no papel: Tempo disponível na internet = horário de verão + quando não fez calor esse ano? / um notebook pra dois usarem + ter que dormir cedo pra acordar às 5h da manhã. Sei que só eu posso fazer esse cálculo, então te dou logo o resultado. Tempo disponível na internet = 2h/dia. E essas duas horas eram gastas com: ler e responder e-mails; atualizar o blog segunda, quarta e sexta; ler o blog do Gabito; e dar uma rápida olhada no facebook.

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